Obra preserva tradição secular da Igreja
Um presente carregado de história e fé. Trata-se do mosaico oficial que retrata o Papa Leão XIV. O material produzido pelo tradicional Estúdio de Mosaicos do Vaticano, uma arte centenária que continua viva e presente na Igreja, deve ser colocado na histórica basílica papal de São Paulo Fora dos Muros, que abriga mosaicos com todos os Papas da Igreja.
Reportagem de Adílson Sabará
Imagens de Vatican News
Na sala Paulo VI, o Papa Leão X conheceu a arte criada para marcar seu pontificado.
A obra segue uma tradição histórica do Vaticano, a produção de um retrato em mosaico para cada novo Pontífice. Conhecido como Clipeus, o medalhão será instalado na Basílica de São Paulo, fora dos muros, ao lado do retrato do Papa Francisco, na nave lateral direita.
O mosaico tem 1,37 cm de diâmetro e foi produzido com esmaltes vítreos e dourados. Ao todo, cerca de 15.000 pequenas peças foram cuidadosamente cortadas e fixadas à mão, de acordo com técnicas tradicionais preservadas pelo Vaticano.
Os detalhes do rosto do Papa são considerados os mais delicados e valiosos de toda a composição. “Criar um retrato em mosaico de grandes dimensões é um processo extremamente complexo”, disse o diretor do estúdio. “É um trabalho de equipe. Um mosaicista faz o rosto, o outro as vestes e o outro faz o fundo”, completou.
A obra foi apresentada ao Papa por cardeais responsáveis pelas basílicas papais e pela direção do estúdio de mosaicos do Vaticano. Ao final do encontro, o Pontífice rezou junto aos presentes em um momento de silêncio e contemplação diante da obra.
O trabalho nasce em um dos lugares mais silenciosos do Vaticano. O estúdio de mosaicos abriga 12 profissionais que trabalham em um ambiente de concentração e meditação, cercados por milhares de tonalidades diferentes de peças coloridas. Ali o tempo parece desacelerar para dar lugar à precisão e a oração através da arte.
De acordo com o diretor, no dia a dia do trabalho no estúdio, está a certeza de que cada criação é extraordinária. Por um lado, disse ele, a repetição de técnicas seculares. Por outro, a consciência da singularidade do que é produzido.
Ao longo dos séculos, o Estúdio Vaticano desenvolveu técnicas capazes de transformar pinturas em mosaicos com impressionante fidelidade.
O objetivo sempre foi criar obras que resistissem ao tempo, à humidade, às mudanças climáticas, sem perder beleza e profundidade. “Um dos segredos do nosso trabalho é o estuque que usamos para fixar as peças”, contou o diretor. “Ele seca lentamente e permite correções durante o processo. A fórmula completa só nós conhecemos”, concluiu ele.
A tradição dos retratos papais em mosaico nasceu no século XIX, após um incêndio destruir a Basílica de São Paulo fora dos muros. Desde então, cada novo papa passa a integrar essa galeria histórica que une arte, fé e memória.
O mosaico entregue ao Papa representa a continuidade de uma arte que atravessa séculos. Um testemunho silencioso de fé e dedicação que permanece eternizado nas basílicas do Vaticano.




