A Secretaria Geral do Sínodo divulgou o Relatório Final do Grupo de Estudo nº 6 sobre a revisão dos documentos relativos às relações entre bispos e outros temas
Da redação, com Vatican News

Bispos reunidos para o Sínodo, em Roma / Foto: Synod.va
“Não há missão sem relações convertidas. Entre um bispo e as comunidades religiosas, entre um bispo e a porção do povo de Deus que lhe foi confiada, entre uma Igreja local, as Igrejas de um mesmo território e o bispo de Roma, vale a mesma regra: nos ouvimos, damos contas, trocamos dons. Ambos os textos colocam no centro aquilo a que o Sínodo chamou corresponsabilidade diferenciada”. As palavras do cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo, sintetizam a essência dos Relatórios Finais de dois Grupos de Estudo publicados nesta terça-feira, 8 de setembro. Trata-se do Relatório Final do Grupo n.º 6 relativo à “Revisão, numa perspectiva sinodal e missionária, dos documentos sobre as relações entre bispos, a Vida consagrada e as agregações eclesiais” e da segunda parte — aquela relativa às Visitas ad limina — do Relatório do Grupo de Estudo n.º 7 sobre “Alguns aspectos da figura e do ministério do bispo (em particular: critérios de seleção dos candidatos ao episcopado, função judicial do bispo, natureza e realização das Visitas ad Limina Apostolorum) numa perspectiva sinodal e missionária”. A primeira parte havia sido publicada no último dia 5 de maio.
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Propostas operacionais a serem apresentadas ao Papa
“O Papa Leão XIV — conforme consta em um comunicado divulgado pela Secretaria Geral do Sínodo — determinou que os Relatórios Finais fossem tornados públicos para partilhar com todo o Povo de Deus o fruto da reflexão e do discernimento realizados, concretizando uma das características essenciais da Igreja sinodal: a transparência e a prestação de contas. Os dois textos recolhem propostas apresentadas ao Santo Padre no termo do trabalho dos respectivos Grupos: não se trata, portanto, de decisões já tomadas, mas de indicações que os Dicastérios competentes e a Secretaria Geral do Sínodo terão a tarefa de traduzir em propostas operacionais a submeter ao Santo Padre”.
Promover uma conversão relacional
O Relatório Final do Grupo de Estudo n.º 6 foi redigido como «um contributo prático para oferecer ao Santo Padre» acerca da urgência de promover uma «conversão relacional» entre bispos, Vida Consagrada e agregações eclesiais – associações de fiéis, movimentos eclesiais, novas comunidades. Trata-se de “superar abordagens funcionais ou meramente hierárquicas para chegar a relações fundadas na confiança, na escuta recíproca e num generoso intercâmbio de dons”. Isso implica “um compromisso concreto de transformação interior, dos corações e das atitudes e, estrutural, das linguagens, dos métodos e dos espaços de encontro”.
O Grupo, reunido entre abril de 2024 e fevereiro de 2026 e organizado em três subgrupos temáticos, trabalhou a partir de uma escuta direta: questionários e entrevistas dirigidos a bispos, pessoas consagradas e moderadores de agregações, cujos resultados foram progressivamente confrontados e reelaborados até à síntese final, orientada para a prática. As propostas articulam-se em torno de três âmbitos: as relações entre bispos e Vida Consagrada; a colaboração entre conferências episcopais e conferências dos superiores maiores; as relações entre agregações eclesiais e Igrejas locais.
Relação entre bispos e Vida consagrada
No primeiro âmbito, “o Grupo propõe elaborar critérios teológico-jurídicos de discernimento para a aprovação de novos institutos, sociedades de vida apostólica e formas emergentes; a nomeação, em cada diocese, de um delegado ou vigário para a Vida Consagrada, com encontros anuais entre bispos, pessoas consagradas e conferências dos superiores maiores; um acompanhamento sinodal nas transições mais delicadas que muitos institutos estão atravessando – diminuição das vocações, supressão de comunidades, destino dos bens – através de visitas personalizadas, espaços de diálogo e apoio espiritual”. O Relatório pede ainda “contratos de entendimento obrigatórios entre dioceses e institutos, que regulem missão, formação, igualdade de gênero, remunerações e gestão patrimonial, acompanhados por comitês de conciliação, prazos e indicadores de responsabilidade”.
As visitas ad limina: colaboração entre bispos e superiores maiores
No âmbito da colaboração entre Conferências Episcopais e Conferências dos superiores maiores, o Relatório sugere “que as Visitas ad limina sejam preparadas conjuntamente por umas e outras, para que o confronto com a Sé Apostólica reflita toda a realidade eclesial de um território. Propõe depois espaços de fraternidade, como retiros e jubileus, e encontros anuais das secretarias-gerais para favorecer o conhecimento recíproco; uma formação conjunta, com módulos sobre sinodalidade, eclesiologia e liderança, para realizar em conjunto nos seminários, noviciados e centros de formação; iniciativas anuais multidisciplinares ao serviço das periferias. No plano das estruturas, o Relatório indica protocolos claros sobre a colaboração pastoral e os recursos disponíveis, a presença de delegados religiosos nas conferências episcopais e a plena representação de pessoas consagradas e leigos nos organismos de decisão”.
Inclusão das agregações eclesiais nos planos pastorais diocesanos
No âmbito das relações entre agregações eclesiais e Igrejas locais, o Relatório “convida a uma melhor definição terminológica (agregações de fiéis, movimentos, novas comunidades), apoiada numa escuta qualitativa de moderadores e bispos capaz de captar desafios e práticas concretas. Pede que as agregações sejam sistematicamente integradas nos planos pastorais diocesanos e nos organismos de participação – consultas, conselhos pastorais, assembleias sinodais – e propõe o desenvolvimento de redes entre agregações para projetos comuns, a partilha de recursos e a promoção da complementaridade carismática. No âmbito formativo, indica percursos dirigidos aos membros das agregações sobre liderança, processos de decisão e relação entre liberdade e comunhão; uma formação dos seminaristas sobre a vocação laical; e percursos para os bispos sobre as potencialidades e especificidades destas realidades. O Grupo insiste sobretudo na necessidade de uma mudança recíproca de mentalidade, que passa pelo conhecimento pessoal e por visitas periódicas”.
Que a visita ad limina também apoie a missão da comunidade cristã
A segunda parte do Relatório final do Grupo de Estudo n.º 7 pretende oferecer uma compreensão renovada e uma revisão dos procedimentos das Visitas ad limina, em linha com a Constituição Apostólica Praedicate Evangelium do Papa Francisco. A Visita, sublinha o Relatório, “não deve ocupar-se exclusivamente de questões relativas à administração interna da Igreja local, mas também apoiar a missão que a comunidade cristã é chamada a realizar no mundo, tornando-se um instrumento ao serviço da conversão missionária da pastoral ordinária”.
O critério de avaliação proposto é a conversão realizada nas estruturas diocesanas, nos processos de decisão e nos vínculos entre os sujeitos eclesiais, tendo em vista a fecundidade da missão. As propostas situam a Visita ad limina no quadro do diálogo ordinário entre as Igrejas locais e a Sé Apostólica e dizem respeito tanto à preparação como à realização e ao seguimento.
Envolvimento do povo na elaboração do Relatório Preliminar
Na preparação, o Relatório convida “o bispo diocesano a convocar o seu povo para que esse se empenhe de modo corresponsável, através de um discernimento eclesial, na redação do Relatório prévio, o documento sobre a situação da diocese enviado à Santa Sé antes da Visita. Os resultados dos processos diocesanos serão depois apresentados à assembleia dos bispos da Província Eclesiástica ou da Conferência Episcopal: os bispos avaliarão colegialmente a situação das suas dioceses, com o objetivo de reforçar a colaboração pastoral e o planeamento partilhado, e de oferecer ao Papa e aos seus colaboradores um quadro das potencialidades e necessidades do seu território que seja, tanto quanto possível, fruto de um discernimento comum”.
Dimensão espiritual da visita ad limina
Quanto à permanência em Roma, prioritária é a atenção à dimensão espiritual. O Relatório recomenda que “os bispos sejam divididos em grupos de dimensões limitadas e que a Visita se realize com tempos adequadamente amplos. O diálogo, entendido como «intercâmbio de dons» a realizar num estilo colegial, deverá ser franco, cordial e não unidirecional, capaz de fazer emergir tanto as riquezas como as necessidades das Igrejas locais e de favorecer a circulação de boas práticas”. É desejável – sublinha o Relatório – que uma representação diocesana acompanhe o bispo na Visita ad limina, segundo as modalidades que parecerem mais oportunas, privilegiando aqueles que colaboraram na sua preparação no local.
As instituições curiais “terão o cuidado de fornecer um relatório da Visita às Conferências Episcopais e às Estruturas Hierárquicas Orientais; cada bispo diocesano, juntamente com os fiéis que eventualmente o tenham acompanhado a Roma, prestará contas dos resultados à Igreja local. Caberá depois aos organismos de participação e aos competentes serviços diocesanos discernir os passos a dar. Quando a Visita tiver posto em evidência questões sobre as quais seja necessário prosseguir o diálogo, poderão organizar-se encontros on-line ou visitas in loco por parte de representantes da Cúria. Periodicamente, por fim, será constituída uma comissão eclesial independente para a avaliação de todo o processo”.




