22 de outubro

São João Paulo II: padre frisa como legado do santo inspira evangelização

Celebrado nesta quinta-feira, 22, santo fez das viagens apostólicas uma expressão da missão da Igreja e impulsionou a nova evangelização

Julia Beck
Da Redação

São João Paulo II /Foto: IPA/Sipa USA via Reuters

Ir ao encontro dos povos foi uma das marcas de São João Paulo II, cuja memória litúrgica é celebrada pela Igreja nesta quinta-feira, 22. Neste Mês Missionário, a data recorda um Papa que atravessou fronteiras, encontrou diferentes culturas e fez das viagens apostólicas uma expressão concreta da missão da Igreja, além de dar forte impulso à nova evangelização.

Para o padre Matheus Pigozzo, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Boa Esperança, Rio Bonito (RJ), o próprio movimento do Pontífice de sair de Roma e aproximar-se de diferentes povos traduzia uma característica essencial da missão da Igreja.

“São João Paulo II pode ser conhecido como Papa missionário, além de todos os seus documentos, por ter valorizado muitas viagens apostólicas. Ele, com seu longo pontificado, quis visitar vários povos”, afirma.

O gesto de o Papa ir ao encontro das pessoas expressava a universalidade da missão confiada por Cristo à Igreja, acrescenta o sacerdote. “A Igreja que tem sua sede na cidade do túmulo dos apóstolos, em Roma, é uma Igreja para todo o mundo. Ela tem sua sede em Roma, mas é aquela que porta o mandato de Cristo: ‘Ide a todos os povos e evangelizai-os’.”

Um pastor que ia ao encontro de seus filhos

Mais do que deslocamentos ou compromissos próprios do ministério petrino, as viagens de João Paulo II também revelavam, segundo o presbítero, uma característica marcante do santo: sua paternidade espiritual. “Nas viagens, ele visitava os ‘seus filhos’”, acrescenta.

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Ao chegar a diferentes países, João Paulo II não somente anunciava o Evangelho, mas tornava visível a presença da própria Igreja entre aqueles povos. Padre Matheus recorda que Cristo fundou a Igreja para que, através dela e nela, os homens se encontrassem com Ele. “Como diz São Paulo, a Igreja é Corpo de Cristo. Então, ao encontrar a Igreja, encontramos Cristo.”

Padre Matheus Pigozzo /Foto: Arquivo Pessoal

Nesse sentido, o sacerdote sublinha que a presença do Pontífice permitia que diferentes povos reconhecessem a Igreja “como uma mãe comum que quer acolher seus filhos e alimentá-los”. Essa proximidade, contudo, não significava deixar de lado a identidade da fé cristã diante das diferentes realidades encontradas. O presbítero destaca que o Papa valorizava aquilo que havia de verdadeiro e bom nas diferentes culturas, ao mesmo tempo em que lhes apresentava o Evangelho.

“O Evangelho deve ser pregado a todos os povos e os verdadeiros valores das culturas não são impedimentos para o Evangelho. Inclusive, o Evangelho ressalta o que é bom e purifica o que é mal”, ressalta.

Padre Matheus observa ainda que essa paternidade se manifestava não somente no acolhimento e na valorização das culturas, mas também na responsabilidade de instruir. Segundo ele, João Paulo II apresentava a doutrina cristã com a postura de um pai que respeita a liberdade de seus filhos, mas também os forma à luz do Evangelho.

Nova evangelização

Outro aspecto central do legado missionário de São João Paulo II foi o impulso à nova evangelização. Diante do processo de descristianização, o sacerdote afirma que o Pontífice chamou a atenção para a necessidade de anunciar novamente Cristo também em lugares onde o Evangelho já havia sido proclamado há séculos.

Segundo o presbítero, João Paulo II compreendia que mesmo sociedades de longa tradição cristã necessitavam novamente do anúncio do Evangelho. Ele explica que pessoas batizadas que perdiam a fé, não chegavam a conhecê-la de maneira profunda ou se tornavam indiferentes e precisavam ser alcançadas pela evangelização.

São João Paulo II, frisa padre Matheus, motivava a Igreja, em qualquer lugar que ela estivesse, seja nos países de evangelização tardia, seja nos países de tradição cristã, a evangelizar os seus, mostrar uma Igreja viva, cheia do Evangelho, e difundir uma fé que não era do “passado”, mas atual e necessária.

A missão começa também dentro de casa

A dimensão missionária presente no pontificado de João Paulo II não se restringiu, contudo, às grandes viagens apostólicas. Padre Matheus chama a atenção também para a importância que o santo atribuiu à família.

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João Paulo II valorizava o papel das famílias formadas a partir do Evangelho na evangelização da própria sociedade. Ao incentivar aquilo que chamava de “Evangelho da família”, o presbítero enfatiza que o Papa apontava o ambiente familiar como lugar de formação na fé, testemunho e missão.

A família, compreendida como Igreja doméstica, era, para o Papa, um dos primeiros espaços em que o cristão é chamado a viver e transmitir o Evangelho. O matrimônio vivido com consciência e espiritualidade, acrescenta o sacerdote, também revela ao mundo o amor de Cristo pela Igreja.

Um chamado que começa no Batismo

“Celebrar os santos, além de nutrir nossa devoção na intercessão deles, é também se deixar motivar pelo seu exemplo. São João Paulo II, sendo celebrado no Mês Missionário, pode muito bem nos motivar a esta sede de almas, à busca de realizarmos uma evangelização eficaz”, destaca padre Matheus.

 “O exemplo de São João Paulo II pode nos fazer pensar, nos questionar: como está o envio missionário que recebi desde o Batismo em minha vida?”, indaga. Para o sacerdote, o chamado feito pelo santo permanece diante da realidade contemporânea, e cada batizado é convidado a responder à “frieza da fé” com a responsabilidade de evangelizar, tanto pelo testemunho quanto pelo anúncio da doutrina cristã.

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