RETIRO NO VATICANO

Quaresma: a missão principal da Igreja é glorificar a Deus, diz pregador

Abrindo o último dia dos Exercícios Espirituais no Vaticano, Dom Erik Barden falou sobre as reflexões de São Bernardo de Claraval sobre a consideração

Da Redação, com Vatican News

Foto ilustrativa – Canva

Os Exercícios Espirituais da Quaresma no Vaticano chegaram ao seu último dia nesta sexta-feira, 27. Em sua primeira conferência, o pregador, Dom Erik Barden, refletiu sobre “a consideração”, mesmo título do mais difundido tratado escrito por São Bernardo de Claraval, endereçada ao Papa Eugênio III.

Iniciando sua reflexão, o religioso pontuou que a contemplação ocupa-se de verdades já conhecidas ao passo que a consideração procura a verdade nos assuntos humanos contingentes, onde pode ser difícil percebê-la. “Pode ser definida como ‘o pensamento inteiramente voltado, ou a tensão da alma, em busca da verdade’”, acrescentou.

Levando em conta os problemas da Igreja, São Bernardo não oferece soluções institucionais em sua carta, mas aconselha Eugênio a cercar-se de pessoas boas, pois “quanto melhor forem administrados os escritórios centrais da Igreja, maior será o benefício para a Igreja em todo o mundo”.

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O pregador indicou que as qualidades que o santo francês pede ao Papa para buscar e cultivar são válidas em todos os tempos. Segundo São Bernardo de Claraval, são necessários colaboradores “de comprovada integridade, dispostos a obedecer, pacientes e mansos; […] de firme fé católica, fiéis em seu ministério; amantes da harmonia, da paz e da unidade; […] prudentes no conselho, […] astutos na administração, […] modestos na fala”.

Tais pessoas “amam e apreciam a oração e depositam nela sua esperança mais do que em sua própria sabedoria ou trabalho; sua entrada é discreta, sua despedida sem pompa”, complementou Dom Barden, citando São Bernardo.

Retorno à pátria

Segundo o pregador, na medida em que a Igreja age nesses termos, ela refletirá a organização das hierarquias angélicas. “Qualquer pessoa que a considere verá imediatamente sua missão principal: dar glória a Deus”, salientou.

Para considerar corretamente as necessidades terrenas, prosseguiu o religioso, é preciso buscar, por meio delas, o que está acima. São Bernardo diz ao Papa Eugênio III que isso não é, de modo algum, “ir para o exílio”, mas “retornar à pátria”.

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Dom Barden refletiu que São Bernardo, ao se perguntar “o que é Deus?”, compreendeu o Senhor como a “suprema bem-aventurança”. Por amor, Ele deseja compartilhar sua divindade com os homens e os criou para desejá-Lo, expandiu-os para recebê-Lo, justificou-o para merecê-Lo. “Ele nos guia na justiça, nos molda na benevolência, nos ilumina com o conhecimento e nos preserva para a imortalidade”, exprimiu o pregador.

Independentemente de todas as outras obrigações que os religiosos possam ter, essas realidades devem ser postas em primeiro lugar. Assim, sua consideração sobre assuntos práticos será também iluminada, ordenada, abençoada e fecunda. “Um prelado, segundo Bernardo, deve haver princípios, deve ser santo e austero, mas também deve ser amigo do Esposo e se alegrar em compartilhar essa amizade com os outros”, salientou Dom Barden.

“Carrega o seu fardo até o fim”

O religioso citou então Santo Agostinho, que descrevia o ofício episcopal como uma sarcina, ou seja, o pacote de um legionário. Embora o fardo pareça assustador, é preciso recordar que carregá-lo nos ombros “nada mais é do que uma participação no doce jugo do próprio Cristo, que nos faz descobrir que a cruz que nos foi confiada é luminosa e leve, e que poder compartilhá-la é uma fonte de alegria”.

Dom Barden concluiu sua reflexão tornando a mencionar Santo Agostinho, que afirmou em um sermão: “Carrega o seu fardo até o fim. Se você o amar, será leve; se o odiar, será pesado”; e São Bernardo de Claraval, que escreveu: “Teu, ó bom Jesus, é o encargo que nos foi confiado; teu é o tesouro escondido em nossa posse, para ser devolvido quando o quiseres de volta”.

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