DIA DO ENFERMO

Pastoral da Saúde: a missão de acolher doentes e cuidar de quem cuida

Dia Mundial do Enfermo foi instituído  há mais de três décadas, reforçando papel da Pastoral da Saúde no apoio integral a pacientes e familiares diante da fragilidade

Thiago Coutinho
Da redação

Neste 11 de fevereiro, a Igreja recorda o Dia do Enfermo, data que coincide também com a memória de Nossa Senhora de Lourdes / Foto: Olga Kononenko por Unsplash

Neste 11 de fevereiro, data instituída pelo Papa João Paulo II de maneira concomitante à memória de Nossa Senhora de Lourdes, a Igreja celebra o Dia Mundial do Enfermo. De maneira geral, a Igreja propõe, nesta data, uma conscientização mais profunda e universal sobre o tratamento digno às pessoas doentes e o suporte a todos que as cercam — dos familiares aos profissionais de saúde.

Para a fé cristã, o sofrimento não é um fim em si mesmo, mas um mistério. Mas como a Igreja ajuda os fiéis a entender essa realidade? Como ressignificar a dor e evitar que ela se torne motivo de desespero ou perda do sentido da vida?

“A fé estimula atitudes positivas, renova a esperança e a capacidade de lutar, reduzindo a ansiedade. Em momentos de enfermidade e fragilidade, é frequente que a fé fique abalada e o enfermo se revolte, inclusive com Deus”, explica Marlene Salette Marsaro, Coordenadora Nacional da Pastoral da Saúde.

Nesses instantes em que a dor parece sufocante, a fé pode se tornar um porto seguro. “A dor e o sofrimento podem alterar a capacidade de agir do ser humano. Por isso, é fundamental o acolhimento e a escuta”, prossegue Marlene. “Salientamos que a Pastoral da Saúde é ecumênica e acolhe pessoas sem distinção de etnia, nacionalidade, credo ou convicção política. O olhar é sempre voltado ao ser humano”, ratifica.

A presença de Deus

Muitas vezes, a presença divina é questionada em meio à dor. No entanto, a imagem de Cristo no Calvário oferece um consolo concreto para quem está em um leito de hospital ou enfrenta uma doença degenerativa. “É natural que o enfermo passe por fases como medo, desânimo, negação e revolta”, reconhece a coordenadora. “Cabe ao capelão ou agente da Pastoral saber lidar com essas diversidades e acolher o sofrimento sem julgamentos. Muitas vezes, apenas escutar já é suficiente. Essas fases se modificam à medida que o paciente recobra a confiança”.

O papel prático da Pastoral

Para além do conforto espiritual, a Pastoral da Saúde atua em parcerias que auxiliam o doente em suas necessidades básicas. “A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como um completo bem-estar físico, mental, social e espiritual. Atuamos com outras pastorais, secretarias de saúde e de assistência social para suprir o que o enfermo necessita conforme a realidade local”, esclarece a coordenadora. Além disso, a Pastoral atua junto aos conselhos de direito, fortalecendo o controle social e contribuindo para políticas públicas voltadas aos mais fragilizados.

O combate ao “descarte”

Na sociedade contemporânea, o conceito de “descarte” muitas vezes é aplicado aos idosos, vistos como não produtivos. A Igreja atua para combater essa solidão. “Pastorais como a da Pessoa Idosa e a da Saúde exercem uma presença samaritana”, detalha Marlene. Ela destaca ainda o papel dos Ministros da Eucaristia, que levam o Sacramento às residências daqueles que não podem mais se locomover até a igreja, mantendo-os conectados à comunidade.

Um olhar para o cuidador

A doença afeta toda a estrutura familiar, e Marlene é enfática: o cuidador também precisa de cuidado. Muitas vezes, o doente pode reagir de forma agressiva devido ao próprio sofrimento, o que desestabiliza quem cuida.

“O cuidador não pode perder a calma. É fundamental que ele conte com apoio psicológico profissional e com o fortalecimento espiritual dos agentes da Pastoral”, aconselha. “Momentos de descanso e lazer são essenciais para que ele consiga continuar o trabalho com amor e dedicação”, finaliza.

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