Festa da Igreja

Nossa Senhora do Carmo: padre explica o sentido do uso do escapulário

Padre Wagner Souza indica que o escapulário expressa um compromisso de fé e deve ser acompanhado por uma vida de oração e serviço

Julia Beck
Da Redação

Imagem de Nossa Senhora do Carmo com o Menino Jesus ao colo, ambos coroados, tendo ao fundo um resplendor dourado cercado por anjos. A Virgem segura o escapulário, símbolo da devoção carmelita.

Imagem de Nossa Senhora do Carmo com o Menino Jesus /Foto: Canva

A Igreja celebra nesta quinta-feira, 16, a Festa de Nossa Senhora do Carmo, uma das mais antigas e difundidas devoções marianas, que há séculos inspira a fé de milhões de cristãos em todo o mundo. Entre os elementos mais conhecidos dessa espiritualidade está o escapulário, sinal tradicional da devoção carmelita, cujo significado vai muito além de um gesto externo de fé.

Padre Wagner Souza /Foto: Arquivo Pessoal

O pároco da Catedral de São Francisco Xavier, da Diocese de Itaguaí (RJ), padre Wagner Souza, explica que o escapulário, mais do que um objeto de devoção, trata-se de um sinal de consagração e compromisso com a vida cristã, frequentemente usado pelos fiéis como expressão de sua confiança na intercessão da Virgem Maria. Deste modo, o presbítero alerta que o escapulário não deve ser compreendido apenas como um objeto de proteção.

“O mistério da Encarnação, que se dá no ventre imaculado de Maria Santíssima, reveste a nossa humanidade com a grandeza do poder de Deus, que tudo preenche e eleva com sua graça. Nossa Senhora do Carmo oferece o escapulário como sinal de proteção e revestimento. Revestir-se de Cristo e unir a nossa vida a Ele é a grande resposta para vencermos os desafios deste mundo e nos apegarmos ao essencial: ser de Deus, amá-Lo e servi-Lo sempre, em tudo e em todos”, afirma.

Uma devoção que transforma a vida

Segundo o sacerdote, o uso do escapulário precisa ser acompanhado por uma verdadeira disposição interior para acolher a ação de Deus. “Não basta apenas usar o escapulário. É preciso deixar-se envolver por ele. Ou seja, permitir que a força do sagrado nos transforme e nos recorde constantemente que Deus age em nossa vida. Quanto mais damos espaço para essa ação, mais Ele nos conduz à sua vontade, que é a santidade”, sublinha.

Deste modo, a devoção a Nossa Senhora do Carmo vai muito além do uso do escapulário e deve se refletir na vivência concreta da fé. “Além de usar o escapulário, o fiel deve honrar essa devoção com a oração do Terço, a meditação das virtudes de Maria e uma vida de serviço a Nosso Senhor, na Igreja, como ela mesma viveu e realizou”, indica.

Sinais que fortalecem a esperança

Em meio aos desafios da vida cotidiana, padre Wagner ressalta que Deus continua oferecendo sinais concretos de sua presença e de seu amor. Nesse contexto, a devoção mariana ajuda os fiéis a fortalecer a esperança e a caminhar rumo à eternidade.

“Somos carentes de sinais e precisamos de algo sensível à nossa natureza que nos faça recordar aquilo em que cremos. A preservação dessa devoção nos assegura que Deus caminha conosco e não desiste de nós. Com uma multidão de testemunhas no céu, Ele nos acompanha e espera que, abertos à sua graça, nos preparemos para a eternidade”.

Para o presbítero, Maria continua exercendo seu papel de mãe, conduzindo os cristãos ao encontro de Cristo por meio de diferentes expressões de piedade. “O Rosário, a Medalha Milagrosa e o Escapulário nos ajudam a experimentar essa proximidade e nos recordam que Deus, que nos criou e pode nos salvar, jamais deixa de nos socorrer. Basta acolher sua proposta e viver a sua vontade”, finaliza.

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