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Motivações do Papa iluminam primeira reunião do Consep em 2026

Encontro reúne presidência da CNBB e das Comissões Episcopais; palavras de Leão XIV nortearam abertura dos trabalhos

Da Redação, com CNBB

a presidência da CNBB aparece sentada à uma mesa atrás da qual, na parede, aparece o logo institucional da conferência

Foto: CNBB

A sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebe, nesta terça e quarta-feira, 10 e 11 de fevereiro, a primeira reunião do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) deste ano de 2026. O encontro, que reúne a Presidência da Conferência e os presidentes das Comissões Episcopais, começou com as intuições do Papa Leão XIV sobre a transmissão da fé na realidade atual.

No início do encontro, foram lembradas as indicações do Pontífice para a Presidência da CNBB durante a visita feita a ele e aos Dicastérios da Cúria Romana, no mês de janeiro. Segundo o núncio apostólico no Brasil, Dom Giambatistta Diquattro, tais palavras ressoam com intensidade na realidade eclesial do Brasil, com o Espírito Santo conduzindo a uma “autêntica renovação pastoral”.

“O Brasil, com suas intensas diversidades regionais e culturais, está chamado a ser um laboratório de sinodalidade missionária. Somos convidados a realizar atos do Evangelho num contexto marcado por profundas desigualdades sociais”, disse o núncio.

Indicações do Papa sobre o sacerdócio

Também o presidente da CNBB, Cardeal Jaime Spengler, recordou palavras do Papa Leão XIV para iluminar as reflexões dos bispos para a evangelização na atualidade. Dom Jaime citou a carta enviada pelo pontífice à Assembleia Presbiteral da arquidiocese de Madri, na Espanha, na segunda-feira, 9.

“Os tempos que a Igreja atravessa convidam-nos a uma pausa conjunta para uma reflexão serena e honesta. Não tanto para nos limitarmos a diagnósticos rápidos ou à gestão de emergências, mas para aprendermos a compreender profundamente o momento que vivemos, reconhecendo, à luz da fé, os desafios e também as possibilidades que o Senhor nos abre”, afirmou o pontífice, convidando a praticar o discernimento.

O convite do Papa é que a leitura do tempo presente não ignore o contexto cultural e social em que se vive e se expressa a fé. “Em muitos ambientes, observamos processos avançados de secularização, uma crescente polarização no discurso público e uma tendência a reduzir a complexidade da pessoa humana, interpretando-a a partir de ideologias ou categorias parciais e insuficientes. Nesse contexto, a fé corre o risco de ser instrumentalizada, banalizada ou relegada ao âmbito do irrelevante, enquanto se consolidam formas de convivência que prescindem de qualquer referência transcendente”.

Anúncio e vivência da fé

Foi a partir dessas reflexões que os bispos começaram a estudar a realidade para avançar nas indicações pastorais para o anúncio e a vivência da fé no país.

No âmbito social, o Grupo de Análise de Conjuntura Padre Thierry Linard abordou o cenário internacional. Trata-se de um contexto que apresenta a erosão de pilares, como o processo de globalização, o sistema internacional baseado em regras, a democracia liberal, o esgarçamento do pacto social e a hegemonia do dólar.

Já a análise eclesial, apresentada pelo presidente do Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi, Dom Joel Portella Amado, foi ao encontro da análise social, favorecendo a reflexão sobre como as transformações globais afetam o sentido da fé e a evangelização. Foram consideradas as diferentes crises atuais, relacionando com o quadro religioso brasileiro atual, o que já tem sido discutido nos últimos meses, e as indicações evangelizadoras das futuras Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), a serem votadas na 62ª Assembleia Geral da CNBB, no mês de abril.

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