Dia Mundial do Enfermo

Especialistas destacam valor da humanização no cuidado ao doente

Em mensagem para o Dia Mundial do Enfermo, Papa lembra necessidade de priorizar o substantivo “pessoa” antes do adjetivo “doente”

Denise Claro
Da redação

Nesta terça-feira, 11, a Igreja comemora o 28º Dia Mundial do Enfermo. A data foi instituída pelo Papa João Paulo II, por ocasião do dia de Nossa Senhora de Lourdes.

Na mensagem para este ano, o Papa Francisco se baseou nas palavras de Jesus “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei” (Mt 11, 28). Francisco lembrou a fragilidade experimentada pelo homem nos momentos de doença e enfermidade. Muitas vezes, nesta hora, quem está vulnerável só quer encontrar alívio.

Elaine Ribeiro, psicóloga. / Foto: Canção Nova

Muitos são os que, nos dias atuais, sofrem com a precariedade da saúde, padecem nos leitos e nos corredores dos hospitais. Porém, mesmo em meio às dificuldades, é na equipe médica e nos profissionais que acabam encontrando um apoio.

A psicóloga Elaine Ribeiro avalia que, quando o indivíduo está doente, tende a voltar sua atenção para o problema, como se a doença fosse o centro da sua vida.

“Apesar de cada um viver de uma maneira essa situação, com frequência o paciente apresenta perturbações emocionais, como ansiedade e depressão. Quem está doente se sente fragilizado, dependente, incerto quanto ao futuro, questionando-se muitas vezes sobre os efeitos do tratamento, e até sobre a possibilidade de morrer”.

“Quem está doente se sente fragilizado, dependente, incerto quanto ao futuro. Quando o paciente sente-se acolhido, certamente todo o processo será bastante facilitado”
Elaine Ribeiro

Elaine afirma que, ao longo do tratamento, é importante que este doente encontre um atendimento feito de forma humanizada. Esta diferenciação no atendimento de saúde vai além da pessoa como um prontuário, mas sim, da pessoa em sua integralidade, esteja ela numa curta hospitalização, ou nos processos mais longos de tratamento.

“O diálogo respeitoso, o posicionamento claro do tratamento e suas etapas, a compreensão das limitações do paciente e sua família, os cuidados no fim da vida, o cuidado da própria equipe que cuida, tudo isto colabora, e muito, neste processo de humanização. Quando o paciente sente-se acolhido, certamente todo o processo será bastante facilitado.”

Frágil e Vulnerável

A radialista Márcia Ribas foi internada com apendicite em 2018/ Foto: Arquivo pessoal

A radialista Márcia Ribas sofreu, em maio de 2018, uma apendicite aguda, que depois se complicou, levando-a a cirurgia e a um longo período de internação e recuperação.

“Estive enferma de uma forma considerável e só nessa situação de fragilidade eu entendi com mais clareza e amplitude o valor da saúde, e o valor de saber que, independente da nossa vontade, há momentos em que vivemos uma situação de dependência extrema das pessoas. Nesse momento eu toquei na importância do cuidado”.

Márcia conta que viveu duas fases em seu tratamento. Na primeira, deu entrada em um hospital em que os profissionais não a trataram de forma satisfatória, piorando seu quadro. Na segunda, quando a dor já estava insuportável, foi para um outro hospital, em que teve uma excelente experiência em relação à equipe e qualidade no atendimento.

“Da segunda vez, fui atendida por um médico atencioso, humano, competente, admirado e respeitado por toda equipe, que também era muito boa. As enfermeiras entravam no quarto sorrindo, e apesar do foco, da atenção, e rapidez com que tinham que desenvolver suas tarefas, faziam tudo com muito bom humor.”

Márcia ressalta que descobriu um mundo à parte, e que os profissionais da área da saúde são “verdadeiros heróis”. Um mundo interno, totalmente diferente, em que é necessário se dedicar o tempo todo, um trabalho pesado que exige muito.

“É um trabalho que não dá pra ser somente algo que pague suas contas. Quem está ali tem que ser realmente vocacionado para aquela função, aquilo ali é o que faz sentido na vida delas. A forma como o médico me tratou desde o primeiro dia até o último, foi uma coisa muito diferente. Quando ele entrava no quarto pra me ver, ele sentava do meu lado, na cama, e conversava comigo como se fosse uma pessoa da minha família. Me deu o contato após a cirurgia e me tranquilizou. Isso me deu uma segurança fora do comum, que me ajudou muito na minha recuperação.”

O cuidar como Missão

Letícia Salazar é enfermeira pelo cuidado com o outro./ Foto: Arquivo Pessoal.

Em sua mensagem, Francisco pede aos profissionais da saúde que, no cuidado com o paciente, se priorize o substantivo “pessoa” diante do adjetivo “doente”. A ação da equipe deve sempre ter em vista a dignidade e a vida da pessoa por trás daquela situação.

 A enfermeira Letícia Salazar se encantou pela profissão justamente por causa do cuidado com o outro, que é a base da enfermagem.

“Busco desempenhar minha missão olhando o paciente como um todo, tentando ao máximo enxergá-lo em sua integridade, e não perdendo a sensibilidade. O paciente precisa ser tratado com técnica, mas também com respeito e dignidade. Muitas vezes um toque, um sorriso ou um simples bom dia já faz toda diferença na vida de quem está recebendo os cuidados”.

Ana Paula dos Santos também escolheu a enfermagem por este motivo. Na infância, viu um documentário que mostrava a ação da Cruz Vermelha no Continente Africano, que a atraiu.

“O paciente precisa ser tratado com técnica, mas também com respeito e dignidade”
Letícia Salazar

“Lembro das cenas, de que no meio daquele caos humano, havia homens e mulheres cuidando daquelas vidas. Ali decidi que eu também iria ajudar as pessoas, sendo alegria e esperança em meio à dor”.

Sobre a qualidade do atendimento aos pacientes, e a forma como busca desempenhar sua missão, Ana Paula afirma: “A principal ação dentro dessa missão, a meu ver, é a constância no amor e empatia aos enfermos e seus familiares nos momentos que, na maioria das vezes, são de cruz, dentro dos consultórios, hospitais, clínicas e casas de repousos, preciso ver Jesus em cada situação e em cada pessoa que sou chamada a lidar no dia a dia”.

Ana Paula Santos sonhava em ser enfermeira desde a infância./ Foto: Arquivo pessoal

Ana Paula esclarece que a destreza nos procedimentos é imprescindível, além do contante interesse no aprender através dos estudos para o melhor exercício da profissão, mas que o mais importante é o amor que se coloca em cada atendimento. 

“A humanização é tudo. Vejo que o profissional deve a cada dia rever seu chamado para esta missão, ter consciência dele e renovar sua disposição. E não perder o olhar de que o meu cuidar traz sempre a vida, independente da dor e da morte, eu posso dar a dignidade a cada pessoa e situação que passa por minhas mãos, meus olhos e minha técnica. Em nossa profissão, é importante colocar-se como instrumento ajudador de Deus para que o bem seja sempre feito e o que fugir de nossas capacidades, Ele mesmo fará para além de nós, seus pequenos e grandes milagres.”

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