SOLIDARIEDADE

Em Belém, orfanato religioso oferece amor a crianças sem família

As Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo administram o Orfanato da Sagrada Família em Belém, onde crianças órfãs ou abandonadas são acolhidas

Da redação, com Vatican News

Orfanato da Sagrada Família em Belém, que é administrado pelas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo / Foto: Reprodução Vatican News

Um terremoto percorre os cômodos do “Presépio”, causado pela energia suave, porém poderosa das crianças. Como Yousef, que ri enquanto uma freira o levanta do berço; ou Mariam, que corre sem largar sua bola amarela; ou Omar, que permanece imóvel, esperando receber um toque delicado.

É a necessidade de amor das crianças que preenche os cômodos do Orfanato da “Sagrada Família” em Belém, administrado pelas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo.

Veja também
.: Vila Vicentina acolhe idosos há 90 anos e promove Natal solidário

Em meio a olhares e abraços que tornam impossível conter as lágrimas de emoção, a vida se desenrola entre canetinhas coloridas e brinquedos, cercada pelo cuidado das freiras que zelam por essas crianças até os seis anos de idade, garantindo-lhes alimentação, educação e assistência médica.

Crianças como Jesus

“Essas crianças são órfãs, abandonadas ou encontradas nas ruas. É uma realidade dramática sob todos os pontos de vista: muitas delas nascem em situações familiares extremas, frequentemente de mães solteiras jovens, forçadas a entregar seus filhos por medo de serem mortas por suas próprias famílias. As irmãs acolhem os recém-nascidos, criam-nos e amam-nos”, explica o Padre Karim Maroun, superior provincial das Vicentinos, ao Vatican News.

“Essas crianças são um pouco como Jesus: nascidas em meio à fragilidade, ao abandono e a uma sociedade ferida. Elas precisam de muito amor e carinho. E há um grande mistério: elas têm um lar, comida, cuidados e afeto, mas sempre permanece a saudade de uma mãe e de um pai.”

A organização do orfanato

Quarenta e cinco crianças residem permanentemente no orfanato de Belém. A instituição também oferece um serviço de creche para outras 35 crianças, filhos e filhas de famílias pobres que trabalham durante o dia. No total, cerca de 80 crianças, com até 6 anos de idade, são acolhidas.

A estrutura é cuidadosamente organizada: cozinha, refeitório, igreja com capela, dormitórios, salas de aula e áreas de recreação. Os dormitórios são divididos por idade: o berçário para recém-nascidos até 9 meses; a sala dos berços para crianças de um ano a um ano e meio; a sala com camas para crianças de até 3 anos; e, por fim, outra sala com camas maiores para as crianças mais velhas.

A educação também é organizada por faixa etária, com salas de aula específicas: a sala do berçário, salas de aula intermediárias e salas para as crianças mais velhas. Há uma equipe de cerca de 70 pessoas – incluindo freiras, educadores, médicos e voluntários – que mantém a instituição funcionando.

Acolhendo-os quando são rejeitados

“Em Belém, o Natal acontece apenas uma vez por ano, mas aqui celebramos Jesus vivo todos os dias”, diz a Irmã Laudy Fares, que cuida das crianças do orfanato há 20 anos.

“Não fazemos catequese com palavras; nossa identidade se expressa através de quem somos e do que fazemos. Acolhemos Cristo em nossos braços, porque essas crianças foram rejeitadas pela sociedade. Aqui, elas encontram afeto, braços abertos e amor.”

Esse apoio, no entanto, é limitado no tempo. “Podemos acompanhá-las apenas até os seis anos de idade”, continua a irmã, “e quando precisam partir, é sempre doloroso. Depois, não sabemos qual será o caminho delas, qual futuro as aguarda. É por isso que nossa presença, aqui em Belém, é tão importante: para cuidar delas todos os dias enquanto pudermos.” Elas são então entregues ao sistema estatal palestino.

Afeto e amor

O objetivo é dar dignidade, amor e um futuro a essas crianças. Os peregrinos que visitam a creche criam um forte laço com elas, e o afeto é mútuo. Há uma história que ficou especialmente marcada no coração da Irmã Fares:

“Certa vez, um grupo da França veio. Entre eles, havia uma mulher que, quando criança, fora abandonada, mas teve a sorte de ser acolhida por uma família. Ao ver as crianças, ela se comoveu profundamente. Disse: ‘Eu tive uma família e me casei, mas essas crianças não têm futuro, porque a adoção é proibida aqui. Eu poderia ter sido uma delas, mas, em vez disso, deram-me uma chance.’ Essas palavras me tocaram profundamente. Nós cuidamos delas, nós as amamos, mas sempre falta algo: uma família. Essa é a maior dor.”

Em torno dessas crianças, existe uma corrente de solidariedade formada por voluntários, médicos, doadores, peregrinos e moradores da região que trazem comida, leite, roupas, brinquedos, fraldas e cobertores. Dessa forma, o afeto, a vida e, sobretudo, o amor chegam às crianças da creche.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo
Skip to content