No âmbito da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, Cardeal Koch concedeu entrevista à mídia vaticana e destacou fé comum
Da Redação, com Vatican News

Cardeal Kurt Koch / Foto: Reprodução ACN
Após o início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos no domingo, 18, o prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, concedeu uma entrevista à mídia vaticana. Ele recordou a exortação do Papa Leão XIV para que se caminhe “em conjunto” na busca da unidade e no compromisso pela paz no mundo.
A Semana de Oração será concluída no próximo domingo, 25, com a celebração das segundas Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, presidida pelo Papa. No Brasil, este período é comemorado entre as Solenidades da Ascensão do Senhor e de Pentecostes, que este ano serão celebradas em 17 e 24 de maio, respectivamente.
Em sua fala, o Cardeal Koch sublinhou a função exemplar das Igrejas, uma vez que o ecumenismo pode ajudar a sociedade se não refletir a fragmentação dela própria, apresentando-se como um sinal de unidade. “Se a própria cristandade é um grupo dividido e litigioso”, pontuou, “não pode oferecer muito à sociedade”.
Os textos da Semana de Oração deste ano, preparados pela Igreja Apostólica Armênia, baseiam-se na Carta aos Efésios – “Um só corpo e um só espírito”. Segundo o prefeito do dicastério, trata-se de “uma escolha altamente simbólica” e “um apaixonado apelo de São Paulo à unidade”. “Se considerarmos que Paulo escreve esta carta na prisão, compreendemos o quanto a questão lhe é cara. Na prisão, as pessoas não se ocupam de banalidades”, explicou.
500 anos da Confissão de Augsburgo
Olhando para o aniversário de 500 anos da Confissão de Augsburgo em 2030, o cardeal redimensionou as expectativas. “No ecumenismo, não estabeleço datas. Os prazos são ditados pelo Espírito Santo, não por nós”, expressou. O ano de 2030 representa, no entanto, um importante “momento de reflexão” para repensar a superação das divisões. “Jesus quis uma Igreja, não uma multiplicidade de Igrejas”, acrescentou Koch.
Em relação à ideia do então Cardeal Joseph Ratzinger de reconhecer a Confissão de Augsburgo como católica, o prefeito do dicastério mostrou-se aberto, mas indicou obstáculos de natureza político-eclesiástica. O problema reside na aceitação por parte da totalidade das Igrejas evangélicas: enquanto a Igreja luterana (VLKD) se reconhece plenamente nesta linha, o mesmo não se pode dizer da EKD (Igreja Evangélica na Alemanha) no seu conjunto.
No fim de sua fala, o cardeal ressaltou a importância do Concílio de Niceia, cujo aniversário de 1700 anos foi celebrado recentemente. “O desafio de Niceia continua atual”, disse. Para o Jubileu de 2033, no qual se prevê um grande encontro ecumênico na Terra Santa, Koch lembrou que o esclarecimento das questões relacionadas à Confissão de Augsburgo não é uma condição formal para o encontro.




