Na Ucrânia, mesmo perseguida por russos, Igreja Católica continua socorro à população local e é apoio espiritual aos soldados.
Reportagem Adilson Sabará
Imagens da Reuters
A 40 km da linha de frente russa, a comunidade católica ucraniana cuida de quem ficou exilado por ter a cidade ocupada. A ajuda humanitária da igreja alcança tropas ucranianas e vilas nos campos de batalha.
Crianças e famílias inteiras fogem da guerra para receber o conforto da missão religiosa. Irmã Lukia Murashko conta que ao chegar no mosteiro, as crianças se sentem seguras e se agarram a todos querendo abraços e calor humano. A Igreja greco-católica ucraniana tem mais de 4 milhões de seguidores e é o maior ramo do catolicismo no país.
Os russos controlam parte da cidade de Zaporizhzhya e proibiram a igreja e as instituições de caridade católicas de atuarem na cidade. Os bairros ainda livres são refúgio para os deslocados pelo conflito. Padre Oleksandr Bohomaz conta que por várias vezes os russos invadiram a Igreja durante a missa, anotavam dados pessoais, ameaçavam e geravam medo a todos.
De acordo com o sacerdote, neste tempo de guerra, dois padres redentoristas foram sequestrados e 20 meses depois foram trocados por prisioneiros. Ele conta que teme passar pelo mesmo sofrimento, mas decidiu ficar na cidade porque o povo é muito numeroso.
43 países acusam a Rússia de perseguição religiosa na Ucrânia. O relatório da Aliança Internacional pela Liberdade Religiosa e Crença aponta que 67 clérigos de diversas denominações foram mortos desde o início da guerra e 596 igrejas cristãs foram danificadas.
De acordo com o exarcado católico ucraniano, das 77 paróquias, 36 estão sob controle da Rússia. Dom Stepan Meniok é bispo emérito do exarcado de Donetsk. Ele diz que as pessoas estão deslocadas como onda e a maior parte passa por Zaporizhzhya com uma história de dor e perdas, seja de propriedades ou de vidas.
No mosteiro, irmã Lukia afirma que ao chegar as pessoas percebem que são aceitas como são. Ela diz que quando alguém compartilha sua dor, cada freira se emociona e chora com elas. E isso demonstra que alguém as entende, alguém as conhece, alguém as sente, concluiu ela.