MIGRANTES E REFUGIADOS

Comissário de agência de refugiados da ONU se encontra com o Papa

Philippe Lazzarini, Comissário-Geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), afirmou que o conflito segue em Gaza

Da redação, com Vatican News

Philippe Lazzarini, Comissário-Geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) / Foto: Reprodução Youtube Vatican News

“Discutimos o trabalho da UNRWA, mas também o que aconteceria se ela fosse impedida de fazê-lo”. Philippe Lazzarini, Comissário-Geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA, sigla em inglês), foi recebido em audiência pelo Papa Leão XIV na manhã desta segunda-feira, 12.

Em seguida, Lazzarini falou ao Vatican News sobre o encontro, bem como sobre a crise humanitária na Palestina e a responsabilidade moral de um mundo tentado a desviar o olhar.

Encontrando-se com o Papa Leão XIV

Durante a audiência com o Santo Padre, explica Lazzarini, a conversa centrou-se na situação que se deteriora rapidamente em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, bem como nas consequências regionais mais amplas de um conflito que não dá sinais de resolução. No centro da discussão, acrescenta, estava o papel da UNRWA no terreno.

“Falámos sobre o que significaria se a Agência fosse subitamente impedida de operar em Gaza ou na Cisjordânia na ausência de uma alternativa viável”, afirma Lazzarini, explicando que tal alternativa só poderia assumir a forma de instituições palestinianas “capazes e com poder”.

“Temporário” e o efeito da “temporariedade”

A UNRWA foi criada há mais de setenta anos como uma medida temporária, uma ponte humanitária destinada a durar apenas até que uma solução política fosse encontrada. Sua existência contínua, diz Lazzarini, não é evidência de falha institucional, mas de ausência política.

“Havia uma crença entre os Estados-Membros de que precisariam de apenas alguns anos para resolver o conflito”, explica ele. “Se a UNRWA ainda existe hoje como uma organização temporária, porém duradoura, é porque, ao longo de mais de sete décadas, a comunidade internacional não foi capaz de encontrar uma solução política duradoura para o sofrimento do povo palestino e para o conflito israelo-palestino.”

Ao longo do tempo, o mandato da Agência evoluiu. “Nas últimas décadas”, explica Lazzarini, “a UNRWA tem sido principalmente uma organização de desenvolvimento humano, fornecendo o que um Estado normalmente forneceria a seus habitantes: educação e atenção primária à saúde.”

Financiamento para a UNRWA

Essa urgência, no entanto, contrasta com as decisões de alguns países doadores. Alguns expressam profunda preocupação com a vida de civis, ao mesmo tempo que suspendem ou condicionam o financiamento à UNRWA. “Como conciliar o compromisso de aliviar o sofrimento humano”, questiona Lazzarini, “com a recusa em canalizar recursos por meio de uma organização como a UNRWA, que tem a maior presença em Gaza e é a principal provedora de educação e saúde pública?”

A assistência humanitária, enfatiza ele, não se limita a alimentos. “É preciso abrigo. É preciso vacinas. É preciso acesso à água potável. É preciso acesso à educação básica. Muitas dessas necessidades são atendidas somente pela UNRWA.”

“Não há dúvida”, acrescenta Lazzarini, “de que existe uma contradição entre dizer que se apoia uma resposta humanitária e, ao mesmo tempo, recusar-se a apoiar uma ampla gama de atividades essenciais.”

A verdade por trás do “cessar-fogo”

O cessar-fogo reduziu a violência diária, mas Lazzarini alerta para o perigo de confundir a tranquilidade com a resolução do conflito. “O conflito continua todos os dias”, diz ele. “Há violações diárias. As restrições permanecem.” A fome pode ter diminuído um pouco, mas a privação não. Além de comida, diz ele, “essa população precisa de quase tudo”.

Nesse contexto, Lazzarini acredita que os jornalistas têm uma responsabilidade especial. “Gaza e Palestina têm sido alvo de uma guerra de narrativas”, afirma. “Houve muita desinformação. O papel dos jornalistas é manter a atenção – de forma crítica, cuidadosa e persistente.”

Mais de dois anos após o início da guerra, nenhum jornalista internacional foi autorizado a entrar em Gaza. “Isso precisa mudar”, diz Lazzarini. “Os jornalistas locais pagaram um preço muito alto e precisam do apoio dos jornalistas internacionais.”

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