Patriarca Latino de Jerusalém refletiu sobre a situação em Gaza, frisou dificuldades vividas na região e exortou fiéis a retornarem a peregrinar na Terra Santa
Da Redação, com Vatican News

Cardeal Pierbattista Pizzaballa / Foto: Latin Patriarchate of Jerusalem no YouTube
“É difícil ver uma solução a curto prazo”. Assim o Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, definiu a situação vivida em Gaza em um encontro na Igreja de São Francisco a Ripa, em Roma.
O cardeal diagnosticou que as feridas entre israelenses e palestinos são profundas, as populações estão confusas e as lideranças são fracas. “Este é o primeiro ponto a ser considerado e a partir do qual se deve partir”, sinalizou, expressando não resignação, mas uma consciência concreta de quão difícil é o caminho que leva à reconciliação e à paz.
Pizzaballa reconheceu que o dia 7 de outubro de 2024 e a guerra que se seguiu foram eventos sem precedentes. “Nós também não compreendemos imediatamente a dimensão do que tinha acontecido com o ataque do Hamas e, posteriormente, do que estava prestes a acontecer com a resposta das Forças de Defesa de Israel. Pensávamos em uma retaliação, como tantas outras que haviam ocorrido anteriormente, mas agora todos os parâmetros que conhecíamos haviam sido ultrapassados”, afirmou.
Dimensão religiosa
O Patriarca explicou, em sua fala, que a paz e a reconciliação são conceitos belíssimos, mas que correm o risco de permanecer slogans se não forem acompanhados hoje por ações e gestos concretos. “devemos estar conscientes de que, antes de tudo, é preciso criar oportunidades de encontro, bem como contextos culturais e sociais que, pouco a pouco, ajudem a pensar de maneira diferente. Palavras não são suficientes”, enfatizou.
O cardeal também disse que é preciso que as lideranças políticas e religiosas tenham visão e não baseiem na raiva e sede de vingança. “Para nós, da comunidade cristã, o importante nesta fase é estar presente, permanecendo fiéis a nós mesmos. A Terra Santa nos ensina que ser minoria não é um drama, se temos algo belo e grandioso a comunicar. E nós temos”, frisou.
Pizzaballa salientou que os cristãos podem ser um sinal de unidade, como foi São Francisco de Assis, que se tornou um sinal para todos porque comovido por Cristo. “Seu testemunho atravessou os séculos e ainda hoje nos fala”, sublinhou. Ele recordou as dificuldades enfrentadas na Terra Santa, de onde muitas famílias cristãs acabaram saindo.
Busca por soluções
Quanto à solução de dois Estados, o Patriarca admitiu como é complicado pensar e concretizá-la, no momento atual. Contudo, “é algo em que se deve trabalhar, os palestinos têm o direito de se sentir um povo e de ter um Estado. Até mesmo afirmar essa possibilidade é um ato de justiça, é ajudá-los a continuar cultivando o sonho de ter um dia uma casa só para eles”, ponderou.
Por fim, o cardeal lançou um apelo ao retorno dos peregrinos. “É hora de voltar. Chega de emergências, é hora de ter coragem. É possível vir à Terra Santa, é preciso fazê-lo; Belém e Jerusalém são seguras. Agora precisamos ver que a Igreja e a comunidade cristã estão presentes, também fisicamente”, concluiu.




