O secretário de Estado do Vaticano espera que na Terra Santa se possam celebrar os ritos da Semana Santa pelo menos dentro dos locais sagrados
Da redação, com Vatican News

Cardeal Pietro Parolin celebrou a Missa inteiramente em português / Foto: Reprodução Vatican Media
“Pôr fim a essa insensatez que é a guerra”. É o apelo que o secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, compartilha com um grupo de jornalistas, à margem da jornada de estudos dedicada ao estadista italiano Alcide De Gasperi, que ocorre nesta quinta-feira, 26, na Biblioteca Apostólica Vaticana. O pensamento está voltado para a Terra Santa, que se prepara para viver uma Semana Santa com fortes limitações e restrições, devido à guerra. O cardeal expressa a esperança de que “pelo menos dentro” dos locais sagrados, como a Igreja do Santo Sepulcro, “se possam celebrar os ritos”. Em vista da Páscoa, ele renova, portanto, o apelo para que se ponha fim à violência: “a Páscoa é a festa da paz, a paz do Senhor ressuscitado e, portanto, é uma ocasião especial para renovar este convite e pôr fim a esta insensatez que é a guerra”.
Na Itália, a colaboração pelo bem comum
Quanto à situação política, poucos dias após o resultado do Referendum sobre a justiça, que decretou a vitória do “Não”, Parolin — ressaltando que é “sempre difícil pronunciar-se sobre os acontecimentos italianos” — destaca “o grande interesse” demonstrado pelos italianos em relação à votação do referendo, expresso “através de uma participação notável”. “Acho que todos ficamos um pouco surpresos ao ver a porcentagem de pessoas que votaram… Eu — diz o secretário de Estado do Vaticano aos jornalistas — acredito que, na verdade, o sensato seria valorizar tudo isso, mas cada um do seu ponto de vista, naturalmente, pois há diferentes interpretações tanto da participação quanto do resultado”. O desejo, tendo em vista também algumas tensões políticas no governo italiano, é que “tudo isso possa contribuir para uma maior concórdia e colaboração, sempre com vistas ao bem comum do país”. “Certamente, preocupa a conflituosidade que não contribui para o bem da sociedade e do país”, acrescenta o cardeal, e convida “a aproveitar este momento, que em nível internacional é particularmente complicado e doloroso, também para tentar criar uma sinergia. Cada um a partir de seu ponto de vista, cada um com sua contribuição, mas pelo bem do país”.
Educar os jovens aos valores
Ainda com o olhar voltado para a Itália, o cardeal responde a uma pergunta sobre o recente caso noticiado do esfaqueamento de uma professora por um aluno de 13 anos em Bergamo. “Diante desses fenômenos, é necessária também uma intervenção normativa que, na medida do possível, previna e impeça esses episódios”, afirma. Ao mesmo tempo, segundo o cardeal, “é uma questão de valores: quais são os valores que inspiram também nossos jovens? Quais são os valores que transmitimos aos nossos jovens e que impedem essas degenerações que acabam ocorrendo?”. “É uma questão fundamentalmente de educação”, acrescenta o cardeal, desejando que a escola se torne “um lugar onde se aprende a viver juntos, a respeitar-se e a ser construtivo”.
A liturgia não seja motivo de conflito
Por fim, foi feita ao cardeal uma pergunta sobre a missa tridentina, logo após a publicação da mensagem do Papa — assinada pelo próprio secretário de Estado — dirigida aos bispos franceses reunidos em plenária em Fátima, na qual Leão XIV expressava preocupação pelo fato de que “continua a abrir-se na Igreja uma dolorosa ferida relativa à celebração da missa” e pedia “que se incluíssem generosamente as pessoas sinceramente ligadas ao Vetus Ordo”. Na mesma linha, Parolin reitera que “a liturgia não deve se tornar motivo de conflito e de divisão entre nós”. “Trata-se de encontrar a fórmula que possa atender às legítimas necessidades. Acredito que isso seja possível, sem transformar a liturgia em um campo de batalha”.




