Citado em ação coletiva contra a Arquidiocese de Quebec em 2022, cardeal será indenizado após tribunal canadense deferir sentença a seu favor
Da Redação, com Vatican News

Cardeal Marc Ouellet venceu processo contra mulher que o acusou de abusos / Foto: Reprodução Reuters
O prefeito emérito do Dicastério para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet, venceu a ação contra Paméla Groleau, mulher que o “acusou falsamente de violência sexual no âmbito de uma ação coletiva contra a Arquidiocese de Quebec”.
A decisão foi tomada pela Corte Superior de Quebec, no Canadá, em sentença publicada na segunda-feira, 31 de agosto. O tribunal deu razão ao cardeal na ação por difamação apresentada em agosto de 2022, quando vieram a público as acusações de violência sexual.
O juiz Martin Castonguay concluiu que tais acusações eram infundadas e condenou a mulher a pagar uma indenização de 100 mil dólares, que Ouellet comprometeu-se, em declaração, a destinar “a organizações que lutam contra os abusos sexuais sofridos pelas populações indígenas no Canadá”.
Continua a luta contra todas as formas de abuso
Na mesma declaração, o cardeal afirmou receber com gratidão o reconhecimento, por parte da Justiça civil do Canadá, de que as acusações de violência sexual feitas contra ele eram falsas e formuladas com “extrema temeridade, equivalente à malícia”, e de que a pessoa em questão foi considerada responsável pelas “afirmações infamantes” e difamatórias dirigidas contra ele e amplamente divulgadas em todo o mundo”.
Ouellet agradeceu aos advogados e às numerosas testemunhas ouvidas por terem “ajudado o Tribunal a estabelecer os fatos e a fazer prevalecer a verdade”. Além disso, assegurou seu “compromisso pessoal de continuar a luta, dentro da Igreja e na sociedade, contra todas as formas de abuso, especialmente o sexual” e afirmou apoiar “sem reservas as vítimas comprovadas em sua busca por uma justiça reparadora”.
Histórico do processo
O caso remonta a agosto de 2022, quando o nome do cardeal apareceu em uma ação coletiva contra a Arquidiocese de Quebec, relacionada a acusações de abusos sexuais ocorridos ao longo de várias décadas. Paméla Groleau, ex-assistente pastoral leiga, havia acusado o cardeal de atos cometidos entre 2008 e 2010, descrevendo episódios de contato físico não consensual que, posteriormente, foram apresentados como atos de violência.
Desde o início, o cardeal rejeitou as acusações, negando ter “praticado gestos inadequados” e considerando “difamatórias a interpretação e a divulgação dessas acusações”. Ouellet também havia garantido que participaria ativamente de uma eventual investigação civil. Em dezembro daquele ano, anunciou uma ação judicial contra sua acusadora, com o objetivo de restabelecer sua honra e reputação.
Também em 2022, o Papa Francisco confiou uma investigação preliminar ao padre jesuíta Jacques Servais. Ao final do procedimento, o religioso afirmou que não havia motivo fundamentado para abrir uma investigação por agressão sexual por parte do Cardeal Ouellet. O Pontífice não autorizou a abertura de uma investigação canônica contra o cardeal, diante da ausência de “elementos suficientes”.
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