Campanha da Fraternidade deste ano reflete sobre a grave realidade da falta de moradias que afeta 6,4 milhões de famílias no Brasil; abertura teve mensagem do Papa
Kelen Galvan
Da redação

Cerimônia de abertura da Campanha da Fraternidade 2026 / Foto: Francisco Coelho – CN
A Campanha da Fraternidade 2026 foi aberta oficialmente nesta Quarta-feira de Cinzas, 18, em cerimônia na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em Brasília. O tema deste ano é “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).
O Papa Leão XIV enviou uma mensagem por ocasião da abertura da Campanha da Fraternidade, que foi lida pelo secretário-executivo de Campanhas, padre Jean Poul Hansen, no início da cerimônia. O Pontífice expressou seu desejo de que a reflexão sobre a dura realidade da falta de moradias gere a consciência sobre a necessidade da partilha.
Logo em seguida, o secretário geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers, abriu oficialmente a Campanha da Fraternidade 2026. Ele explicou que o lema deste ano remete ao centro da fé cristã. “Deus não permaneceu distante. Ele entrou na história. Ele fez da humanidade a sua casa. E é precisamente por isso que a questão da moradia se impõe como uma urgência ética, social e espiritual”, afirmou.
Grave crise habitacional
Dom Ricardo destacou que o Brasil enfrenta uma grave crise habitacional que afeta 6,4 milhões de famílias. E afirmou que não se tratam apenas de números, mas de rostos, de vidas marcadas pela insegurança, pela precariedade e exclusão.
“Nossa conversão começa com a consciência de que isso não é natural. Não podemos naturalizar que alguém viva sem teto e aceitar que crianças cresçam em áreas de risco. Não podemos considerar inevitável que a desigualdade determine quem tem direito a morar com dignidade. A moradia não é privilégio”, disse.
Ele afirmou ainda que a Campanha da Fratenidade não desvia o sentido quaresmal, mas explicita suas exigências. E enfatizou que a Doutrina Social da Igreja recorda que a destinação universal dos bens e a função social da propriedade tem um sentido. “Isso significa que a economia deve servir a vida, que o mercado não pode se sobrepor à dignidade humana. E as políticas públicas habitacionais não são concessões, mas deveres do Estado”, destacou.
Dom Ricardo enfatizou que essa grave crise habitacional deve mobilizar a sociedade como um todo e afirmou que a Campanha da Fraternidade 2026 “quer suscitar diálogo, mobilização e compromisso. Fortalecer iniciativas já existentes, inspirar políticas públicas eficazes, incentivar parcerias responsáveis e despertar consciência”.
Veja panorama da realidade da moradia no Brasil
Ações em prol da Campanha
Padre Jean Poul pediu cinco ações em prol da campanha, a primeira é assumir. Realizar a campanha em todas as comunidades. “Esperamos da igreja no Brasil este compromisso, (…) o mais importante é nós nos mantermos unidos, caminhando juntos”.
O secretário das campanhas pediu como segunda ação a oração. “Que não deixemos passar um só dia em que não lembremos de rezar por estes irmãos que padecem”.
A terceira ação é o jejum. “Todos nós podemos fazer alguma coisa. Nosso jejum, se ele não se converter em bem do próximo, ele será só economia e dieta”, disse padre Jean.
E a quarta ação é a esmola. Nesse aspecto, Padre Jean lembrou que no Domingo de Ramos, dia 29 de março, acontecerá a tradicional Coleta Nacional da Solidariedade. “Sejamos generosos. Convertamos o nosso jejum numa esmola que pode fazer a diferença”. Ele explicou que essa coleta forma dois fundos: O Fundo Diocesano (60% do valor) e o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) (40%). [Vídeos sobre projetos assistidos pelo FNS]
A quinta ação é a sócio-política. “Se você quer fazer caridade a uma pessoa, dê a ela uma esmola. Se você quer fazer caridade a uma nação, faça política. Nós devemos também fazer ações sócio-políticas em todos os âmbitos de governo e da sociedade”, indicou o sacerdote.




