PAZ

Arcebispo Gallagher: Gaza continua sendo o lar dos palestinos

O secretário do Vaticano para as Relações com os Estados e reitera a posição da Santa Sé sobre uma solução de dois Estados para Israel e Palestina

Paul Richard Gallagher, Secretário para as Relações com os Estados do Vaticano / Foto: Reprodução Yoututbe

Da redação, com Vatican News

Apesar da devastação e das “ruínas em que se encontra”, Gaza “é o lar” dos palestinos que por “gerações… nasceram e viveram suas vidas lá… que querem ficar lá e reconstruir suas vidas lá”, diz o arcebispo Paul Richard Gallagher, secretário de Relações com Estados e Organizações Internacionais, na primeira parte de uma longa entrevista com a revista jesuíta America.

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“Acho que não podemos simplesmente ir contra isso”, disse o arcebispo a Gerard O’Connell na entrevista, que ocorreu na semana passada, após a Conferência Anual de Segurança de Munique.

Respondendo a uma pergunta sobre a proposta do presidente dos EUA, Donald Trump, de reassentar palestinos da Faixa de Gaza em outro lugar, o arcebispo Gallagher disse: “A Santa Sé sempre manteve uma posição sobre a migração forçada. Não acreditamos que este seja o caminho correto a seguir para resolver qualquer tipo de problema, seja guerra, conflito ou qualquer coisa”.

Ele lembrou que “muitos dos palestinos de hoje ou seus ancestrais mais próximos já foram forçados a deixar suas propriedades de outras partes da Terra Santa”.

“Não é certo dizer que eles são um problema”, insistiu o Arcebispo Gallagher. “Eles são pessoas. Eles são seres humanos, e temos que tentar agir de uma forma que seja respeitosa com eles, com sua dignidade como seres humanos, e entender o tremendo sofrimento pelo qual eles passaram e o que eles estão passando dia após dia”.

Diante de tal proposta, o Arcebispo disse: “A gente fica sem palavras”.

A solução de dois estados

A Santa Sé, ele reiterou, continua a pedir uma solução de dois estados: um israelense e um palestino. Por muito tempo, e portanto, mesmo antes “deste conflito mais recente e horrível, após os eventos atrozes de 7 de outubro [2023]”, a Santa Sé apoiou este princípio dentro da comunidade internacional e o fez mesmo quando muitos outros o estavam “descartando”.

Olhando para hoje, é “bastante óbvio”, disse o secretário de Relações com Estados e Organizações Internacionais, “que a possível realização disto está em questão porque a situação na Cisjordânia também é extremamente séria”.

Ele acrescentou, “se houvesse a anexação da Cisjordânia por Israel, é muito difícil ver como haveria qualquer esperança no futuro próximo de trazer uma solução de dois estados”.

O Arcebispo Gallagher disse que a Santa Sé continua a apoiar “um cessar-fogo total… a libertação de todos os reféns… a proteção de civis e o respeito total pelo direito internacional… a reconstrução de Gaza… a estabilização da situação na Cisjordânia e o respeito pelo povo palestino de lá.”

E então, ele acrescentou, “avançando, em direção a uma solução para o conflito entre os israelenses e os palestinos”. Mas, ele disse, “nós acreditamos que a resolução da questão palestina está no cerne de muitos dos problemas do Oriente Médio, seja na Síria, no Líbano ou em qualquer outro lugar da região”.

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