FESTA DA PADROEIRA

Aprender, com Maria, a fazer aquilo que Jesus pede, exorta Dom Mário

Arcebispo de Aparecida (SP) presidiu Missa solene no Santuário Nacional neste dia 12 de outubro e frisou acolhida à Palavra de Deus

Gabriel Fontana
De Aparecida (SP)

Solenidade de Nossa Senhora Aparecida reuniu milhares de devotos nesta segunda-feira, 12 / Foto: Daniel Xavier

Nesta segunda-feira, 12, o Santuário Nacional de Aparecida recebeu milhares de romeiros para celebrar  festa de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Com Maria e em comunidade, ressoou o convite a conhecer e praticar a Palavra de Deus — tema da Festa da Padroeira de 2026.

O arcebispo metropolitano de Aparecida (SP), Dom Mário Antonio da Silva, presidiu a Missa solene às 9h. Essa foi a primeira vez que ele celebrou a Solenidade estando à frente da arquidiocese local.

Após o início da celebração, a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi acolhida pelos devotos. Entre os lenços agitados pela multidão de fiéis, ela passeou pelo meio do povo e depois foi entronizada no Altar Central. Toda a procissão foi adornada por elementos que fazem alusão à Palavra de Deus, semeada no coração dos fiéis.

Acolher Maria e a Palavra de Deus

Em sua homilia, o arcebispo de Aparecida destacou a acolhida à Palavra de Deus e à ação da Virgem Maria. “Quando a gente acolhe a imagem da Mãe Aparecida, nós vamos muito mais além, porque Maria está viva e peregrina conosco”, expressou.

“O Brasil se reúne aos pés de sua padroeira, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Nos reunimos como romeiros, como Igreja peregrina, como comunidade de devotos”, prosseguiu Dom Mário. “Em mais de 300 anos, Maria continua aparecendo na história do nosso povo, na alegria e nas dores, nas casas e comunidades, nas estradas, nas romarias, nos santuários e no coração dos peregrinos do Brasil e de outros países”, salientou.

Deixar-se tocar pelo outro e fazer o bem

Dom Mário destacou acolhida à Palavra de Deus em sua homilia / Foto: Daniel Xavier

Em seguida, o arcebispo destacou três personagens presentes na Liturgia do dia: a rainha Ester, a mulher do Apocalipse e a Mãe de Jesus nas bodas de Caná.

Começando por Ester, Dom Mário sinalizou que ela foi uma mulher que não ficou indiferente ao seu povo. Em meio ao domínio persa sobre o povo hebreu, ela podia preocupar-se apenas com sua própria segurança, mas correu riscos para interceder pela vida de seu povo.

“Ester cuidou dos outros porque ama, e quem ama se coloca diante dos sofrimentos e das necessidades das outras pessoas”, observou Dom Mário. “Conhecer a Palavra é deixar-se tocar pela vida dos outros. Quem escuta Deus não pode ficar indiferente. (…) Longe de nós a indiferença: aprendamos com Ester, mulher que intercede pelo seu povo”, exortou.

Passando à mulher do Apocalipse, o religioso frisou que ela permanece de pé. Ameaçada pelo dragão, ela é protegida por Deus, revestida de esperança e coroada de vitória. Apontando para Nossa Senhora Aparecida, o arcebispo indicou que a pequena imagem se tornou sinal de ternura e esperança para milhões de brasileiros, recordando que os cristãos não são uma comunidade de “perfeitos”, mas peregrinos que enfrentam muitas dificuldades e ainda assim continuam caminhando no seguimento ao Cristo.

“Conhecer a Palavra é aprender e permanecer de pé quando a vida nos quer derrubar e praticar a Palavra é não deixar ninguém cair, ninguém para trás”, afirmou Dom Mário. “Somos devotos que, fazendo o bem, permanecemos em pé”, ressaltou.

“Fazei tudo o que ele vos disser”

Por fim, em relação à presença e às ações de Maria nas bodas de Caná, o arcebispo salientou o ensinamento deixado pela Mãe de Jesus: “fazei tudo o que ele vos disser”. “Maria vê a necessidade antes que ela se transforme em desespero, ela é atenta e toma a iniciativa”, sinalizou.

Dom Mário observou que Nossa Senhora não chama a atenção para si mesma, mas aponta para Cristo. “Ela não diz ‘façam o que eu quero’, mas ‘fazei o que ele vos disser’”, indicou. “Às vezes conhecemos muito a Palavra, mas praticamos pouco. Sabemos que Jesus manda perdoar, mas guardamos ressentimento. Sabemos que Jesus manda servir, mas queremos ser servidos. Sabemos que Jesus nos manda amar os pobres, mas muitas vezes os desprezamos.”

Voltando o pensamento aos servidores das bodas de Caná, o arcebispo destacou que eles estavam juntos, assim como os pescadores que encontraram a imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 1717, e os apóstolos no cenáculo, reunidos com Maria e unidos em Cristo. “A Igreja nasce, cresce e fortalece quando caminhamos juntos”, ressaltou.

Projeto Semear a Palavra

Romeiros expressam sua devoção a Nossa Senhora Aparecida / Foto: Daniel Xavier

Segundo Dom Mário, o caminho sinodal leva a Igreja a florir em um grande jardim, onde Maria é a mais bela flor. “Somos semeadores da Palavra e de boas obras”, manifestou. Neste contexto, o arcebispo de Aparecida apresentou o novo sonho do Santuário: o projeto Semear a Palavra.

“Nos próximos anos, florescerá sobre nossas cabeças um jardim para a Nossa Senhora: um mosaico que revestirá o teto do Santuário Nacional de Aparecida”, explicou. “Esse sonho só florescerá com a participação de todos nós. Por isso, o projeto Semear a Palavra é mais que uma obra de arte, é um convite à missão”, acrescentou.

O arcebispo salientou que os fiéis são chamados a semear a Palavra na igreja, em casa e na comunidade. “Que este jardim, construído também com a generosidade de tantos corações, seja sinal de uma Igreja viva, missionária e acolhedora, e que a Palavra de Deus encontre em cada coração, terra boa, produzindo frutos de vida, fraternidade e esperança em todo o Brasil”, concluiu.

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