Encerramento do Ano Santo

Papa na festa da Epifania: Jubileu nos lembrou que é possível recomeçar

Leão XIV presidiu a missa na festa da Epifania, que também marcou o encerramento do Jubileu 2025

Da Redação, com Boletim da Santa Sé

O Papa Leão XIV com vestes litúrgicas eleva a hóstia no momento da consagração eucarística

Papa Leão XIV na missa de encerramento do Jubileu 2025 / Foto: Joyce Mesquita

“É bom sermos peregrinos de esperança. E é bom continuar a sê-lo, juntos!”, disse o Papa Leão XIV na missa da Solenidade da Epifania do Senhor nesta terça-feira, 6. A celebração também marcou o encerramento do Jubileu 2025.

Antes da celebração, o Pontífice presidiu o rito de fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, a última Porta Santa a ser fechada. Na homilia, Leão XIV partiu do Evangelho do dia, que descreve a alegria dos Magos e a perturbação de Herodes com o sinal da manifestação de Deus.

“Sempre que se trata das manifestações de Deus, a Sagrada Escritura não esconde este tipo de contrastes: alegria e perturbação, resistência e obediência, medo e desejo. Celebramos hoje a Epifania do Senhor, conscientes de que, na sua presença, nada permanece como antes. Este é o início da esperança. Deus revela-se e nada pode permanecer imóvel.”

O Papa mencionou o fato de que a Porta Santa da Basílica de São Pedro – hoje fechada – recebeu inúmeros homens e mulheres, peregrinos de esperança e, ao final deste Ano Jubilar, o questionamento é sobre a busca espiritual que fizeram. “Milhões deles atravessaram a soleira da Igreja. E o que encontraram? Que corações, que atenção, que acolhimento? Sim, os Magos ainda existem. São pessoas que aceitam o desafio de arriscar cada um a própria viagem, que num mundo conturbado como o nosso, sob muitos aspectos repulsivo e perigoso, sentem a necessidade de partir, de procurar.”

Vidas a caminho

O Papa Leão XIV, com vestes litúrgicas, passa pelos fiéis que estão na Basílica de São Pedro para a Missa da Epifania do Senhor

Foto: Joyce Mesquita

Leão XIV também destacou que o Evangelho compromete a Igreja a não ter medo do dinamismo – “somos vidas a caminho” – frisando que é preciso orientá-lo para o que Deus suscita. E Deus é vivo e vivificante, como o Menino que Maria acolheu nos braços e que os Magos adoraram.

“Os lugares santos, como as catedrais, as basílicas, os santuários, que se tornaram destinos de peregrinação jubilar, devem difundir o perfume da vida, a impressão indelével de que um outro mundo começou. Perguntemo-nos: há vida na nossa Igreja? Há espaço para o que está a nascer? Amamos e anunciamos um Deus que nos põe novamente a caminho?”, questionou.

A alegria do Evangelho liberta

Apontando para o comportamento de Herodes, que também aparece no Evangelho de hoje, o Papa observou o temor dele pelo trono, estando disposto a fazer tudo, até mentir e desviar a busca dos magos em seu benefício. “Verdadeiramente, o medo cega. Em contrapartida, a alegria do Evangelho liberta: torna-nos prudentes, sim, mas também audazes, atentos e criativos; sugere estradas diferentes daquelas já percorridas.”

Leão XIV também refletiu sobre a pergunta simples e essencial dos magos: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?”. E observou a importância de que as pessoas que atravessam a porta da Igreja sintam que o Messias acaba de nascer ali, que ali está acontecendo uma história de vida.

“O Jubileu veio para nos lembrar que é possível recomeçar, ou melhor, que estamos ainda no início, que o Senhor deseja crescer no meio de nós, deseja ser o Deus-conosco. Sim, Deus põe em questão a ordem existente: tem sonhos que ainda hoje inspira nos seus profetas; está determinado a resgatar-nos de antigas e novas escravidões; envolve jovens e idosos, pobres e ricos, homens e mulheres, santos e pecadores nas suas obras de misericórdia, nas maravilhas da sua justiça. Não faz barulho, mas o seu Reino já está a germinar em todo o mundo.”

O Papa Leão XIV, com vestes litúrgicas, está diante da imagem de Nossa Senhora da Esperança na Basílica de São Pedro. Ele aparece incensando a imagem

Leão XIV diante do ícone de Nossa Senhora da Esperança / Foto: Joyce Mesquita

Concluindo sua reflexão, o Papa lembrou que o modo como Jesus encontrou todos e deixou que todos se aproximasse Dele ensina a valorizar o segredo dos corações que só Ele sabe ler. É a manifestação da gratuidade, que está nas realidades humildes, não em lugares prestigiados.

“A fidelidade de Deus continuará a surpreender-nos. Se não reduzirmos as nossas igrejas a monumentos, se as nossas comunidades forem casas, se resistirmos unidos às seduções dos poderosos, então seremos a geração da aurora. Maria, Estrela da Manhã, caminhará sempre à nossa frente! No seu Filho, contemplaremos e serviremos uma magnífica humanidade, transformada não por delírios de omnipotência, mas pelo Deus que, por amor, se fez carne.”, finalizou.

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