No final do mês, Pontífice participará do encerramento de evento que reunirá líderes religiosos de 53 países em oração pela paz
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV /Foto: SEBASTIEN BOZON/Pool via REUTERS
Quarenta anos após o histórico Dia Mundial de Oração pela Paz convocado por São João Paulo II, Assis voltará a reunir líderes religiosos de diferentes partes do mundo. O encontro “Paz desarmada e desarmante”, promovido pela Comunidade de Santo Egídio, será realizado de 25 a 27 de outubro e contará, no encerramento, com a presença do Papa Leão XIV.
A edição deste ano foi apresentada na terça-feira, 6, na sede do Dicastério para a Comunicação da Santa Sé. O evento recordará o encontro realizado em 27 de outubro de 1986, quando João Paulo II reuniu, pela primeira vez, representantes de diferentes religiões em Assis para uma jornada de oração pela paz.
“Estamos realmente felizes com o retorno do Santo Padre a Assis”, afirmou o bispo da cidade, Dom Felice Accrocca. Segundo ele, a presença do Pontífice e dos demais líderes religiosos poderá “fortalecer nosso caminho comum contra todas as formas de violência”.
40 anos do “Espírito de Assis”
O encontro de 1986 tornou-se um marco do diálogo inter-religioso. Na ocasião, São João Paulo II destacou que a construção da paz não era responsabilidade apenas de políticos, acadêmicos ou especialistas, mas uma tarefa de todos.
O legado daquele encontro passou a ser conhecido como “Espírito de Assis” e foi assumido pela Comunidade de Santo Egídio, que desde então promove anualmente encontros internacionais de oração e diálogo pela paz.
Ao apresentar a edição de 2026, o presidente da comunidade, Marco Impagliazzo, destacou que o encontro de quatro décadas atrás abriu uma nova perspectiva para as relações entre as religiões. Segundo ele, o diálogo tornou-se ainda mais necessário diante das transformações vividas pelo mundo desde então, da queda do Muro de Berlim e do fim dos regimes do Bloco Oriental aos novos conflitos e tensões internacionais. Impagliazzo recordou que, após as mudanças políticas do fim dos anos 1980, João Paulo II chegou a afirmar: “Não rezamos em vão em Assis”.
Diálogo diante dos conflitos
Nas últimas quatro décadas, o caminho iniciado em Assis atravessou diferentes momentos da história mundial. Impagliazzo citou a contribuição para processos de paz em países como Moçambique e República Centro-Africana, mas também recordou períodos marcados pelo crescimento da violência e da intolerância religiosa. Entre eles, destacou os atentados de 11 de setembro de 2001, quando, segundo ele, as religiões voltaram a ser associadas à violência e ao terrorismo e houve um crescimento da islamofobia.
Nesse contexto, líderes muçulmanos e representantes de outras religiões intensificaram o diálogo para combater a identificação do Islã com a violência e fortalecer iniciativas comuns em favor da paz.
Papel das religiões
Para o presidente da Comunidade de Santo Egídio, o mundo atual, marcado por conflitos, divisões, nacionalismos e racismo, reforça a responsabilidade das religiões na construção da fraternidade.
Impagliazzo destacou que a proposta não é promover uma uniformidade entre as diferentes tradições religiosas, mas fortalecer uma “unificação espiritual” capaz de favorecer a convivência e o reconhecimento do outro como irmão.
O diálogo inter-religioso, acrescentou, também ganha importância diante da crise do multilateralismo e dos desafios enfrentados pelas instituições internacionais na defesa do direito internacional.
“Paz desarmada e desarmante”
Ao longo dos últimos 40 anos, os encontros promovidos a partir do “Espírito de Assis” passaram por diversas cidades europeias e também por locais como Jerusalém e Washington. Segundo Impagliazzo, esse percurso criou amizades e vínculos entre representantes de diferentes tradições religiosas e ajudou a superar o medo do outro.
Em 2026, o encontro terá como tema “Paz desarmada e desarmante”, expressão utilizada pelo Papa Leão XIV. A proposta é reafirmar a possibilidade da paz mesmo diante de um cenário internacional marcado por guerras e tensões. Assis já recebeu outros encontros significativos ligados a esse caminho. Em 2016, no 30º aniversário da iniciativa de João Paulo II, o Papa Francisco participou das celebrações pela paz na cidade de São Francisco.
Leão XIV encerrará encontro
A edição deste ano reunirá 384 representantes de religiões, culturas e instituições provenientes de 53 países. Ao todo, 155 palestrantes participarão de 24 fóruns temáticos. Entre os assuntos previstos estão paz, oração, economia, conflitos, crianças e jovens, comunicação, migração, desarmamento, unidade dos cristãos, diálogo no Mediterrâneo, pobreza e mártires contemporâneos.
O Papa Leão XIV estará em Assis no dia 27 de outubro, último dia do encontro. Na Basílica Inferior de São Francisco, o Pontífice participará de uma oração pela paz com os cristãos. Também está previsto um momento de oração com a participação do Patriarca Ecumênico Bartolomeu. Posteriormente, na Praça de São Francisco, Leão XIV encerrará o encontro com uma mensagem pela paz dirigida ao mundo.