Catequese

Papa frisa valor da relação entre fé e cultura para o testemunho cristão

Na catequese de hoje, ainda sobre a Constituição Gaudium et spes, Papa abordou a relação entre fé e cultura

Jéssica Marçal
Da Redação

Leão XIV acena aos fiéis na catequese desta quarta-feira, 28 / Foto: REUTERS/Remo Casilli

A relação entre a fé e a cultura foi o centro da reflexão do Papa Leão XIV na Audiência Geral desta quarta-feira, 28. O Pontífice ainda se dedica à Constituição pastoral Gaudium et spes, no ciclo de catequeses sobre o Concílio Vaticano II.

A segunda parte do documento versa sobre esta relação da cultura com a fé cristã. Leão XIV recordou que a Igreja Católica sempre se preocupou em acompanhar a pregação do Evangelho, com a instituição de escolas para fomentar a formação humana, cultural e espiritual. Mas o progresso da cultura também traz interrogações, levando os crentes a explicarem a razão de sua fé.

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Segundo o Papa, o fundamento da relação entre fé e cultura está na Encarnação: também a fé é uma realidade encarnada, entrelaçada com a cultura em que se insere. “Também ela é chamada a tornar-se cultura, ou seja, a alcançar a pessoa no seu ambiente de vida, feito de palavras humanas, tradições, sentido religioso, arte e poesia, pensamento e ciência. Como São João Paulo II gostava de repetir, ‘uma fé que não se torna cultura é uma fé não acolhida de modo pleno, não inteiramente pensada nem vivida com fidelidade’”.

A fé pode estar em todas as culturas

Outro ponto destacado pelo Papa é que a fé não se identifica com nenhuma cultura, por isso mesmo pode encarnar-se em todas elas. A fé se molda segundo Jesus Cristo, explicou, de forma que a Igreja procurar captar o que dá de bom nas diferentes culturas para encarnar e transmitir a mensagem do Evangelho. Assim, promove-se um enriquecimento mútuo: tanto da própria Igreja quanto das várias culturas.

“A Igreja promove a cultura porque esta é um bem em si, é um serviço ao ser humano e ao cumprimento da sua vocação na terra. Por esta razão, a Gaudium et spes exorta a Comunidade internacional a garantir que todos possam ter acesso aos bens culturais fundamentais, superando o analfabetismo e a falta de instrução.”

Fé e formação intelectual

Os cristãos, inclusive, são chamados a ter este conhecimento. Mesmo que tenham recebido da Revelação as respostas às grandes interrogações da existência, devem também ter uma formação intelectual e cultural, observou o Papa. “Aliás, os seus conhecimentos humanos e científicos devem evoluir a par com os conteúdos da sua fé, que deverão ser continuamente aprofundados com a idade e de acordo com o nível de estudos.”

Leão XIV conclui destacando a exortação da Constituição Gaudium et spes a viver a fé em união com os demais homens de cada tempo, sem hostilidade ou oposição em relação ao mundo, à cultura e suas expressões humanas. “Com efeito, alcançar uma síntese madura e responsável entre fé e cultura é uma condição necessária para a perseverança na vocação cristã, mas também um requisito indispensável para dar testemunho da fé no mundo e para a comunicar aos outros de modo credível.”

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