Papa aprofunda a Dei Verbum e convida os fiéis à escuta e à amizade com Deus
Reportagem de Danúbia Gleisser e Daniele Santos
Na segunda Audiência Geral do ano e a de número 38 de seu Pontificado, o Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os Documentos do Concílio Vaticano II, com Destaque para a Constituição Dogmática Dei Verbum em que refletiu o tema: Deus fala aos homens como a amigos.
Com as baixas temperaturas do inverno europeu, a audiência geral foi realizada na Sala Paulo VI. No encontro, Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano Segundo, com destaque hoje para a Constituição dogmática Dei Verbum. Para ele, o documento sobre a revelação divina é um dos documentos mais belos e importantes do Concílio. Para introduzir o tema, o Papa recordou as palavras de Jesus. “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo que eu vi do meu Pai”.
Segundo o Papa, este é um ponto fundamental da fé cristã que a Dei Verbum nos recorda. Jesus Cristo transforma radicalmente a relação do homem com Deus, convertendo-a em uma relação de amizade.
Leão XIV explicou que a semelhança com Deus não é alcançada pela transgressão e pelo pecado, como a serpente sugere a Eva, mas na relação com o filho feito homem. E destacou que por meio desta revelação de amizade, Deus invisível na riqueza do seu amor fala aos homens como os amigos e convive com eles para os convidar e admitir a comunhão com ele.
O Santo Padre orientou que é importante compreender a diferença entre a palavra e a conversa de circunstância. Segundo ele, esta última permanece superficial e não cria comunhão entre as pessoas, enquanto que nas relações autênticas, a palavra não serve apenas para trocar informações e notícias, mas para revelar quem somos.
Assim, ao falar conosco, Deus revela-se como um aliado que nos convida à amizade com ele”, afirmou o Papa. Nessa perspectiva, Leão XIV motivou que a primeira atitude a ser cultivada é a escuta, para que a palavra divina possa penetrar nas nossas mentes e corações.
Ao mesmo tempo, somos chamados a falar com Deus, não para lhe comunicar o que ele já sabe, mas para nos revelarmos a nós mesmos. Daí, ressaltou Leão XIV, a necessidade da oração, na qual somos chamados a viver e a cultivar a amizade com o Senhor. E ao final alertou: “o dia e a semana de um cristão não podem ser desprovidos de tempo dedicado à oração, pois só quando falamos com Deus podemos também falar de Deus.”




