AUDIÊNCIA GERAL

Papa: a Igreja não nasce da perfeição dos homens, mas do amor de Deus

Na Catequese desta quarta-feira, 4, Leão XIV destacou que Cristo continua a agir e salvar por meio da fragilidade humana que também constitui a Igreja

Da Redação, com Vatican News

A imagem ilustra o Papa Leão XIV no papamóvel, com suas habituais vestes pontifícias e o braço direito erguido em gesto de saudação, passando em meio a uma multidão de fiéis na Praça São Pedro.

Papa Leão XIV passa em meio aos fiéis no papamóvel antes da Audiência Geral desta quarta-feira, 4 / Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Na Audiência Geral desta quarta-feira, 4, o Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II. Seguindo com as reflexões sobre a constituição dogmática Lumen Gentium, o Pontífice meditou sobre a natureza da Igreja.

O Santo Padre destacou que esta é uma realidade “complexa”, não por ser confusa, mas porque reúne, de modo harmonioso, a dimensão humana e a divina, sem que uma se oponha à outra. Ele indicou que não existe uma Igreja ideal separada da história, mas a única Igreja de Cristo, encarnada no tempo e formada por pessoas reais.

Duas dimensões

Ao explicar o sentido dessa “complexidade”, Leão XIV recordou que o primeiro capítulo da Lumen Gentium procura responder à pergunta fundamental: “o que é a Igreja?”. Para isso, o Concílio a define como “um organismo bem estruturado, no qual coexistem as dimensões humana e divina, sem separação nem confusão”.

A dimensão humana da Igreja é a mais visível, assinalou o Papa. Trata-se de uma comunidade de homens e mulheres que vivem a alegria e o peso de ser cristãos, com suas forças e fragilidades, anunciando o Evangelho e sendo sinal da presença de Cristo no mundo.

Contudo, essa descrição não é suficiente para compreender plenamente a Igreja, que possui também uma origem e uma dimensão divina. “A Igreja não é fruto de uma perfeição ideal dos seus membros, mas nasce do plano de amor de Deus pela humanidade, realizado em Cristo”, destacou o Pontífice.

Igreja encarnada na história

Por isso, prosseguiu o Santo Padre, a Igreja é comunidade terrena e Corpo Místico de Cristo, assembleia visível e mistério espiritual, realidade inserida na história e povo em peregrinação rumo ao céu. Para ilustrar essa realidade, recorreu à experiência dos discípulos com Jesus. Eles viam um homem concreto, com rosto, voz e gestos, mas, ao segui-lo, abriam-se ao encontro com o próprio Deus. “A carne de Cristo, o seu rosto, os seus gestos e as suas palavras manifestam visivelmente o Deus invisível”, indicou.

Da mesma forma, ao olhar para a Igreja, vê-se uma dimensão humana feita de pessoas que, por vezes, refletem a beleza do Evangelho e, em outras, mostram limites e erros. No entanto, é precisamente através dessa fragilidade que Cristo continua a agir e a salvar.

Leão XIV recordou ainda as palavras do Papa Bento XVI para reafirmar que não existe oposição entre o Evangelho e as estruturas da Igreja, pois elas servem justamente para tornar o Evangelho concreto na vida do nosso tempo: “não existe uma Igreja ideal e pura, separada da terra, mas apenas a única Igreja de Cristo, encarnada na história. A santidade da Igreja consiste nisto: no fato de Cristo habitar nela e continuar a doar-se através da pequenez e fragilidade dos seus membros”.

Pensar somente na caridade

Na parte final da catequese, o Papa recordou que Deus se manifesta por meio da fraqueza humana e convidou os fiéis a edificarem a Igreja não apenas por meio das suas estruturas visíveis, mas sobretudo através da comunhão e da caridade, que geram constantemente a presença do Ressuscitado.

Citando Santo Agostinho, o Pontífice concluiu: “queira o céu que todos pensem somente na caridade: ela só, de fato, conquista todas as coisas, e sem ela todas as coisas são inúteis; onde quer que se encontre, atrai todas as coisas a si”.

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