HOMILIA EM LOURDES

Leão XIV aos peregrinos em Lourdes: sede missionários da esperança

Leão XIV chamou os peregrinos à conversão, exortou a Igreja à conversão e convidou os enfermos a verem o seu sofrimento como parte da ação redentora de Cristo

Da redação, com Vatican News

Santa Missa celebrada pelo Papa Leão XIV no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes durante a sua viagem apostólica à França / Foto: Alessia Giuliani – Sipa USA via Reuters Connect

Ao celebrar a Missa no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes neste domingo, 27, terceiro dia de sua viagem apostólica à França, o Papa Leão XIV afirmou que a reunião de peregrinos da França e de todo o mundo revelava “a face universal da Igreja” e incentivou-os a levar “a consolação de Lourdes” de volta aos seus lares e comunidades.

Refletindo sobre as leituras do domingo e a mensagem confiada pela Virgem Maria a Santa Bernadette, o Papa colocou a conversão no centro de sua homilia.

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Viagem Apostólica do Papa Leão XIV à França

Ao celebrar a Missa no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes no domingo — terceiro dia de sua viagem apostólica à França —, o Papa Leão XIV afirmou que a reunião de peregrinos da França e de todo o mundo revelava “a face universal da Igreja” e incentivou-os a levar “a consolação de Lourdes” de volta aos seus lares e comunidades.

Refletindo sobre as leituras do domingo e a mensagem confiada pela Virgem Maria a Santa Bernadette, o Papa colocou a conversão no centro de sua homilia.

O convite à conversão

O Pontífice ressaltou que os textos propostos pela Liturgia dominical abordam um aspecto central da mensagem que a Virgem Maria veio confiar a Santa Bernadette e sobre o qual Leão XIV desenvolveu boa parte de sua reflexão, ou seja, o convite à conversão, ao mesmo tempo terno e urgente.

É hoje — não amanhã — que é preciso converter-se; é hoje o momento favorável, o dia da salvação. Sim, observou, “Deus deseja que o homem viva, que abra os olhos e volte para Ele”. Converter-se é abandonar os caminhos do erro para seguir o Caminho da Vida, abrindo assim o nosso coração à única Alegria que não passa, acrescentou.

O próprio Jesus não mede palavras quando exorta à penitência, como nos relata, por exemplo, São Lucas: «se não vos converterdes, perecereis todos» (Lc 13, 5). Mas Ele alarga o horizonte da vida terrena ao da vida eterna. “Enquanto a felicidade aqui na terra é uma realidade efémera, relativa e, por vezes, infelizmente inacessível para alguns, a verdadeira felicidade é prometida a todos, na esperança, e deve ser o principal objeto da nossa busca, dos nossos esforços e das nossas escolhas”, destacou.

A Igreja é chamada a viver a conversão em primeiro lugar

O Santo Padre afirmou que neste momento da história, no seio de uma sociedade em busca de progresso e bem-estar material, mas por vezes tentada a esquecer o horizonte da eternidade, “Maria vem lembrar-nos a grandeza e a amplitude da nossa vocação para a vida, para a vida eterna”.

“Perante as correntes atuais que procuram redefinir o valor da vida humana face à doença, ao sofrimento ou à velhice, a Gruta de Massabielle ergue-se como um santuário da esperança cristã. Aqui, nenhuma fragilidade é rejeitada. As vossas muletas, as vossas cadeiras de rodas, as vossas lágrimas escondidas não são obstáculos: são o lugar por excelência onde sois plenamente respeitados, acolhidos e transcendidos pelo amor infinito de Deus.”

Leão XVI lembrou que encontramos o apelo insistente à conversão nas palavras que Maria proferiu ali mesmo: “Penitência! Penitência! Penitência!” Ressaltou, em seguida, que esta exigência de conversão envolve a própria Igreja na sua peregrinação terrena. “Ela deve ter a coragem de viver essa conversão em primeiro lugar. Para curar as feridas profundas, as infidelidades e os dolorosos desvios cometidos no seu seio, devemos submeter-nos humildemente ao olhar purificador do Senhor”.

Caminhai com confiança rumo ao futuro

O apelo da nossa Mãe ao nosso dever de oração e conversão enche-nos de grande esperança, pois ela indica-nos o meio de mudar o curso das coisas, meio esse que não é outro senão o de nos associarmos à paixão de Cristo, prosseguiu o Pontífice.

“Peregrinos, irmãos e irmãs, não partireis de Lourdes como chegastes: partireis como missionários da esperança”, foi a exortação do Santo Padre antes de concluir sua reflexão, com olhar voltado para a Virgem Maria, nossa Mãe Santíssima.

Eis o milagre deste lugar: suscitar a alegria da esperança mesmo no meio das provações e da dor. A Virgem Maria cura os nossos olhares e transfigura os nossos corações, dando-lhes a paz. Sede testemunhas ativas desta força e desta ternura divinas, que nos permitem continuar o caminho e alcançar a meta, nos vossos países, dioceses e famílias. Apoiados pela oração dos doentes e pelo amor da nossa Mãe, caminhai com confiança rumo ao futuro. Não temais as tempestades do mundo: a Santa Mãe de Deus vigia sobre o vosso caminho, envolve a Igreja no seu manto de ternura e, como Estrela radiosa da manhã, guia os vossos passos para vos gerar, com alegria, na própria vida do seu Filho Jesus.

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