VIAGEM APOSTÓLICA

Festa na Europa e África pelas viagens do Papa Leão XIV

Gratidão e entusiasmo das autoridades civis e eclesiásticas dos diferentes países que o Pontífice visitará a partir do próximo dia 28 de março

Da redação, com Vatican News

Crianças no Condado de Turkana, no noroeste do Quênia / Foto: Regarn Hope por Unsplash

Na Argélia, os bispos dizem estar “muito felizes” e, em geral, na África, fala-se de um “sinal de esperança” em meio a dificuldades políticas e sociais, com os preparativos já em andamento para garantir “uma visita segura e sem contratempos”. Da Espanha chega uma onda de “alegria” e “gratidão” e já se garante uma recepção “calorosa”. O mesmo acontece no Principado de Mônaco, onde tanto a realeza quanto a Igreja local enfatizam a “honra” por este “momento histórico”: a primeira visita de um Pontífice reinante à pequena cidade-Estado.

Reações entusiásticas vêm dos diferentes países que Leão XIV visitará nos próximos meses, a partir de 28 de março, com uma viagem relâmpago a Montecarlo; seguindo com dez dias na África (13 a 23 de abril) e onze etapas na Argélia, Camarões, Angola, Guiné Equatorial; e terminando com uma semana na Espanha em junho (6 a 12), entre Madri, Barcelona e o arquipélago das Canárias, com visitas a Tenerife e Gran Canaria. Nesta quarta-feira, 25, o anúncio oficial foi feito pela Sala de Imprensa da Santa Sé, depois que notícias e datas da chegada do Pontífice já circulavam insistentemente nas redes sociais e na mídia local.

Honrados pelo primeiro Papa no Principado de Mônaco

Enquanto se aguardam os detalhes sobre os respectivos programas, são numerosos os comunicados emitidos imediatamente após a confirmação da Santa Sé, a começar pelos da Arquidiocese de Mônaco e do Palácio Principesco, nos quais se lembra também a dupla comemoração, em 2027, de dois eventos que marcaram a história do Principado: os 780 anos da primeira paróquia no Rocher com a bula Pro Puritate do Papa Inocêncio IV (6 de dezembro de 1247) e os 140 anos da bula Quemadmodum sollicitus Pastor do Papa Leão XIII, que instituiu a diocese de Mônaco, diretamente sujeita à Santa Sé.

“Diocese recente, mas Igreja local rica em história, a Igreja de Mônaco continua sendo uma instituição central na vida monegasca e vibrante em muitos aspectos, muitas vezes desconhecidos do grande público”, lê-se na nota. Onde também é reafirmado o vínculo que há séculos caracteriza as relações entre a família principesca e os Sucessores de Pedro, bem como o fato de que o Principado de Mônaco é “um dos poucos países onde o catolicismo é religião oficial”, conforme consagrado na Constituição. A tudo isso se somam numerosos compromissos compartilhados pelo respeito à vida humana “desde o seu início até o seu fim”, a preocupação com uma ecologia integral e a salvaguarda da “casa comum”, a paixão pelo esporte. Esses laços, afirma o arcebispo Dominique-Marie David, “foram uma bússola no passado e continuam a guiar nossas decisões… Hoje, diante dos desafios que atravessam o mundo – e que nos dizem respeito tanto quanto aos outros –, o príncipe Alberto II não poupa esforços para apelar à consciência de todos e manter viva a responsabilidade de cada um”.

O próprio Alberto II — recebido por Leão XIV em 17 de janeiro — juntamente com a princesa Charlène, afirmam que a visita papal “insere-se na continuidade dos laços seculares que unem a dinastia dos Grimaldi aos Sucessores de Pedro, bem como no quadro das relações diplomáticas antigas e de confiança entre o Principado do Mônaco e a Santa Sé”. Um evento com “dupla dimensão, tanto institucional quanto pastoral”, sublinha uma nota do Palácio, que constituirá “um forte sinal de esperança, num espírito de diálogo, paz e responsabilidade partilhada”.

Os bispos da Argélia: Leão, “apóstolo da paz”

Esperança, diálogo e paz são as chaves de leitura que os bispos da Argélia indicam para a viagem do Papa a Argel e Annaba. Uma viagem nas pegadas de Santo Agostinho, pai espiritual da ordem religiosa a que pertence Robert Francis Prevost e que o próprio Papa havia de certa forma anunciado em dezembro, durante a entrevista no voo de regresso de Beirute. “Pessoalmente, espero ir à Argélia para visitar os lugares de Santo Agostinho, mas também para poder continuar o discurso do diálogo, da construção de pontes entre o mundo cristão e o mundo muçulmano”, disse Leão XIV naquela ocasião.

E agora que a data está marcada, os bispos argelinos, com o cardeal Jean-Paul Vesco, dizem-se entusiasmados com esta viagem do Papa norte-americano e agostiniano que “virá para se encontrar com o povo argelino e os seus líderes”, “virá para encorajar nossa Igreja em sua missão de presença fraterna no meio de uma população de maioria muçulmana” e “virá para nos lembrar da bênção de ter um irmão mais velho comum nascido nesta terra na pessoa de Santo Agostinho, cujo exemplo pode guiar nosso caminho comum”.

Ao visitar como “apóstolo da paz” esta terra – que lembra, aliás, o martírio dos monges de Tibhirine –, o Papa, segundo os prelados, traz a mensagem de Cristo e o encorajamento de que “além de qualquer atrito ou perturbação interior, proveniente do passado ou do presente, de relações tumultuadas ou incompreensões, podemos antes de tudo ser permeados pelo desejo sincero de viver juntos em paz”. Pedem, portanto, que nos preparemos com a oração para esta visita; oração “em nossos corações e em nossas comunidades, nos diálogos com nossos amigos”.

Esperanças e expectativas dos Camarões

“Num contexto de contínuos desafios políticos e de segurança”, a visita do Papa aos Camarões é considerada “um sinal de esperança” pela Igreja e pela população. O anúncio, divulgado ao meio-dia pelo núncio Evelino Bettencourt, “suscitou grande entusiasmo e debate” entre os camaronenses, explica uma nota da Arquidiocese de Bamenda, que revela como, há semanas, as autoridades estão empenhadas em melhorar as infraestruturas, incluindo a restauração do aeroporto, para garantir o melhor sucesso desta visita, que “deverá se concentrar no fortalecimento da fé dos católicos dos Camarões, na promoção da paz e no enfrentamento da crise humanitária do país”.

Na Espanha, a máquina organizacional já está em ação

Enquanto isso, na Arquidiocese de Madri, há clima de festa, pois se fala de uma “confirmação” por parte da Santa Sé da viagem apostólica de Leão XIV em junho. Nesse anúncio, toda a comunidade diocesana vê “uma fonte de esperança e comunhão para a Igreja de Madri”, destaca uma nota da Conferência Episcopal. Durante meses, a capital espanhola trabalhou na organização deste que é “um empreendimento amplo e complexo”, considerando também o fato de que há cerca de 14 anos, desde a visita de Bento XVI por ocasião da JMJ de 2011, a Espanha não recebe um Papa.

O evento requer “coordenação, planejamento e colaboração de numerosas pessoas e entidades eclesiais”. Por isso, a Arquidiocese de Madri preparou com bastante antecedência as estruturas organizacionais necessárias e o cardeal arcebispo, dom José Cobo Cano, instituiu uma Comissão Diocesana que já está gerenciando os diversos aspectos pastorais e logísticos. Também em Madri se convida a privilegiar uma “preparação espiritual” nas paróquias, comunidades, movimentos e centros educacionais. Oração e coração aberto, portanto, “esperando que a presença do Santo Padre traga frutos na fé, na unidade e na renovação missionária”.

Na mesma linha, o Arcebispado de Barcelona e o Comitê Construtor da Sagrada Família expressam sua “gratidão” ao Papa Leão por ter aceitado o convite para visitar a Basílica, confirmando sua presença na cerimônia central de comemoração do centenário da morte de Antoni Gaudí. Também neste caso, Bento XVI foi o último Pontífice a visitar a cidade catalã em 2010, presidindo à cerimônia de consagração da Sagrada Família, desde então aberta ao culto.

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