Igreja Anglicana

Em saudação à nova arcebispa de Cantuária, Papa frisa dom do diálogo

No texto, Santo Padre relembra marcos do diálogo entre católicos e anglicanos e incentiva continuidade das relações fraternas

Da Redação, com Vatican News

Montagem de fotos do Papa Leão XIV, vestido com os tradicionais paramentos brancos, e  da nova arcebispa de Cantuária, Sarah Mullally, paramentada com vestes anglicanas.

Papa Leão XIV e a arcebispa de Cantuária, Sarah Mullally /Fotos: Massimo Valicchia via Reuters/ Jordan Pettitt/Pool via Reuters

O Papa Leão XIV enviou uma mensagem a Sarah Mullally por ocasião de sua posse como arcebispa de Cantuária, maior autoridade da Igreja Anglicana. A cerimônia, historicamente conhecida como entronização, ocorreu na Catedral de Cantuária nesta quarta-feira, 25, e contou com a presença de cerca de dois mil convidados, incluindo o Príncipe e a Princesa de Gales. O momento marcou o início simbólico do ministério público de Sarah.

Em sua mensagem, o Papa observa que o ofício confiado à nova primaz da comunhão anglicana acarreta responsabilidades significativas, não apenas dentro da Diocese de Cantuária, mas também em toda a Igreja da Inglaterra. Ele observa que ela inicia seu ministério “em um momento desafiador na história da família anglicana” e reza para que ela seja fortalecida com sabedoria e guiada pelo Espírito Santo, inspirando-se em Maria, a Mãe de Deus.

Recordando o encontro de 1966

A mensagem recorda o encontro histórico de 1966 entre o Papa Paulo VI e o arcebispo Michael Ramsey, quando católicos e anglicanos se comprometeram com “uma nova etapa no desenvolvimento das relações fraternas, baseada na caridade cristã”. Esse compromisso, destaca ele, frutificou ao longo dos últimos sessenta anos.

Em sua mensagem, o Santo Padre refere-se ao trabalho da Comissão Internacional Anglicana-Católica Romana (ARCIC), estabelecida após esse encontro, afirmando que ela contribuiu para uma maior compreensão mútua e apoiou um testemunho comum mais eficaz, particularmente diante dos desafios globais contemporâneos.

Ao mesmo tempo, ele reconhece que o caminho ecumênico encontrou dificuldades. Ele recorda a Declaração Conjunta de 2016, assinada pelo Papa Francisco e Justin Welby, que observou que “novas circunstâncias apresentaram novos desacordos”.

Essas diferenças, acrescenta o Pontífice, não impedem os cristãos de se reconhecerem como irmãos e irmãs em Cristo, em virtude do seu batismo comum. Assim, o Papa expressa sua crença de que o diálogo deve continuar “na verdade e no amor”, para que os cristãos possam conhecer juntos a graça, a misericórdia e a paz de Deus e oferecê-las ao mundo.

Unidade e testemunho comum

Leão XIV escreve que a unidade buscada pelos cristãos se dirige à proclamação de Cristo, recordando a oração de Jesus: “para que o mundo creia”. Ele também cita um discurso do Papa Francisco aos primazes anglicanos, em 2024, no qual afirmou que as divisões entre os cristãos correm o risco de prejudicar sua vocação comum de dar a conhecer Cristo.

O testemunho de uma comunidade cristã reconciliada e unida, afirma ele, contribui para a clareza da proclamação do Evangelho.

A liturgia em Cantuária

A mensagem do Papa foi proferida nesta quinta-feira, 26, na Catedral de Cantuária, ao final de uma celebração de oração conjunta presidida pela arcebispa Mullally e pelo enviado do Papa, Cardeal Kurt Koch, prefeito do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

A liturgia marca o 60º aniversário do encontro de 1966 entre o Papa Paulo VI e o arcebispo Michael Ramsey. Durante a celebração, foi utilizado o mesmo genuflexório usado no encontro de 1982 entre o Papa João Paulo II e o arcebispo Robert Runcie.

A delegação católica de 2026 incluiu o arcebispo Flavio Pace, secretário do Dicastério; os cardeais Vincent Nichols e Timothy Radcliffe; o arcebispo Bernard Longley, de Birmingham, copresidente da ARCIC; o arcebispo Richard Moth, de Westminster; o arcebispo John Wilson, de Southwark; o arcebispo Leo William Cushley, de Saint Andrews e Edimburgo; o Bispo Kenneth Nowakowski, da Igreja Greco-Católica Ucraniana no Reino Unido; e o encarregado de negócios da Nunciatura Apostólica em Londres, Ante Vidović.

Liderança feminina

Essa é a primeira vez na história que uma mulher liderará a Igreja da Inglaterra e, por conseguinte, a Comunhão Anglicana, com seus cerca de 85 milhões de fiéis. Após um longo processo de consulta pública e discernimento, a “Comissão de Nomeações da Coroa” escolheu Sarah Mullally como nova Bispa de Londres e 106ª Arcebispa de Cantuária. Sua Majestade, o Rei Charles III, aprovou a nomeação, segundo o que foi anunciado em outubro passado.

Na ocasião, Sarah, nomeada sucessora de Justin Welby, que renunciou em novembro de 2024, declarou: “Ao responder ao chamado de Cristo para este novo ministério, faço-o com o mesmo espírito de serviço a Deus e aos irmãos, desde a minha adolescência, quando comecei a crer”. E acrescentou: “Em cada etapa deste caminho, ao longo da minha profissão de enfermagem e do ministério cristão, aprendi a ouvir, com atenção, as pessoas e as orientações de Deus, buscando dar-lhes unidade, para encontrar esperança e cura”.

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