ORAÇÃO

Em outubro o Papa pede orações ‘pelo ministério da saúde mental’

Leão XIV dedica sua intenção de oração ao ministério da saúde mental, conclamando a Igreja a ouvir sem julgar e a acompanhar aqueles que sofrem

Da redação, com Vatican News

Em outubro, o Santo Padre dedica sua tradicional oração ao ministério da saúde mental / Foto: Reprodução Youtube Vatican Media

O Papa Leão XIV divulgou o vídeo “Reze com o Papa”, que acompanha sua intenção de oração para o mês de outubro de 2026: “Pelo ministério da saúde mental”.

No vídeo, produzido pela Rede Mundial de Oração do Papa, o Pontífice reza para que a Igreja seja uma “casa aberta”, onde as pessoas que enfrentam desafios de saúde mental encontrem acolhimento, dignidade e esperança.

Segurando uma imagem de Santa Dinfna, padroeira das pessoas que sofrem de transtornos mentais e dos profissionais de saúde mental, ele se dirige ao “Deus da vida”, que conhece as profundezas do nosso coração e “as feridas silenciosas que, às vezes, ninguém vê”.

“Hoje, apresentamos a Ti os nossos irmãos e irmãs que lutam contra desafios de saúde mental, que sofrem na solidão com a ansiedade, a depressão ou qualquer outra doença mental”, reza ele.

O Papa Leão pede perdão pelas vezes em que os cristãos desviaram o olhar, contribuindo para o estigma e a discriminação contra pessoas com doenças mentais.

Ele reza para que a Igreja se torne “um espaço seguro onde todos tenham lugar — uma comunidade que acompanha e nunca exclui, que escuta sem julgar e se aproxima sem medo”.

O Papa também recorda aqueles que prestam cuidados — incluindo profissionais, familiares e voluntários —, pedindo a Deus que lhes conceda força e compaixão.

“Envia o Teu Espírito sobre nós, para que aprendamos a acolher e a integrar o cuidado com a saúde mental na vida e no ministério das nossas comunidades e de toda a Igreja”, conclui, “e assim nos tornemos um sinal vivo da Tua misericórdia, que nunca abandona e sempre restaura”.

“Feridas silenciosas que, às vezes, ninguém vê”

Na oração que acompanha a intenção deste mês, Leão XIV tem nas mãos uma imagem de Santa Dimpna, tradicionalmente invocada como padroeira das pessoas que sofrem com transtornos mentais e daqueles que delas cuidam. Dirigindo-se ao “Deus da vida”, o Papa recorda as “feridas silenciosas que, às vezes, ninguém vê”:

“Hoje apresentamos-Te os nossos irmãos e irmãs que enfrentam desafios na sua saúde mental, que sofrem em silêncio a ansiedade, a depressão ou outra doença mental. Tu chamas cada um pelo nome, com ternura, e em Ti encontram dignidade e esperança.”

O Pontífice pede também perdão pelas vezes em que a comunidade cristã desviou o olhar, contribuindo para alimentar o estigma e a discriminação contra as pessoas com doenças mentais:

“Faz com que a tua Igreja seja uma casa aberta, um espaço seguro onde todos tenham lugar, uma comunidade que acompanha e não exclui, que escuta sem julgar e se aproxima sem medo.”

Uma Igreja que acompanha

A oração se estende ainda aos profissionais, familiares e voluntários que acompanham as pessoas que sofrem com ansiedade, depressão e outras doenças mentais. Para eles, o Papa pede “força e compaixão para amparar”. Leão XIV invoca, por fim, o Espírito Santo para que o cuidado com a saúde mental seja integrado “na vida e na missão” das comunidades cristãs e de toda a Igreja, tornando-as sinal da misericórdia de Deus “que nunca abandona e sempre restaura”.

A intenção de outubro chama a atenção também para a necessidade de uma pastoral capaz de acompanhar sem pretender substituir o trabalho dos profissionais da área. Como recorda o bispo de Phoenix, nos Estados Unidos, dom John Dolan, que em 2022 criou na diocese um Ministério da Saúde Mental, esse serviço não consiste em “diagnosticar, prescrever ou tratar”, mas em caminhar ao lado de quem atravessa momentos difíceis e ajudá-lo a reconhecer a própria dignidade. “Este ministério consiste em amar e acompanhar.”

“Não podemos fazer isso sozinhos”

O tema da saúde mental já havia sido abordado diretamente pelo Santo Padre durante a viagem apostólica à Espanha. Na Vigília de oração com os jovens, realizada em Barcelona, em 9 de junho, uma jovem compartilhou com o Papa sua experiência com a depressão e uma tentativa de suicídio. Em sua resposta, o Pontífice chamou a atenção para o fato de que a saúde mental está “cada vez mais ameaçada” mesmo em sociedades que se consideram avançadas. Para Leão XIV, trata-se de um sinal de que existe algo profundamente equivocado em uma determinada concepção de progresso que submete as pessoas a pressões, expectativas e tensões capazes de comprometer equilíbrios fundamentais.

Diante do sofrimento, da angústia e da solidão, o Papa recordou que Cristo assumiu sobre si a dor da humanidade e revelou o rosto de um Deus que permanece ao lado de quem sofre. Uma presença que recorda também a necessidade de caminhar juntos: “Não podemos fazer isso sozinhos”. É nesse horizonte que a intenção de oração de outubro convida toda a Igreja a transformar a proximidade em compromisso concreto: acolher, escutar e acompanhar, combatendo o estigma e a discriminação para que ninguém que enfrente ansiedade, depressão ou outra doença mental se sinta sozinho ou excluído.

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