Declaração aos jornalistas

Ameaça contra o povo iraniano é inaceitável, diz Papa

Leão XIV lançou novo apelo de paz, frisando que ataques à infraestrutura civil são contra o direito internacional

Da Redação, com Vatican News

O Papa Leão XIV aparece com suas tradicionais vestes brancas falando a vários microfones que estão posicionados diante dele

Papa faz declaração aos jornalistas na saída de Castel Gandolfo / Foto: Reprodução Youtube Vatican News

“Hoje, como todos sabemos, houve também esta ameaça contra todo o povo do Irã, e isso verdadeiramente não é aceitável.” Essas foram as palavras do Papa Leão XIV aos jornalistas na noite desta terça-feira, 7, ao deixar sua residência em Castel Gandolfo. O Pontífice referiu-se ao ultimato lançado pelo presidente americano Donald Trump ao Irã, com a ameaça de destruir tudo em uma noite se não forem aceitas as condições apresentadas anteriormente e rejeitadas por Teerã a respeito do Estreito de Ormuz. 

Leão XIV reafirmou a urgência da paz, pensando na grave situação que está sendo vivida. O Papa retomou as palavras sobre a paz expressas no Domingo de Páscoa, na mensagem Urbi et Orbi, quando havia feito um apelo para depor as armas “a quem tem o poder de desencadear guerras”, escolhendo o caminho do diálogo e não o da força. O Papa sublinhou que estão em jogo “questões de direito internacional”, mas, muito mais do que isso, existe “uma questão moral”, na qual é preciso ter presente o bem do povo. O pensamento se voltou sobretudo aos mais frágeis, vítimas de uma escalada.
“Gostaria de convidar todos a pensar, no coração, verdadeiramente, nos tantos inocentes, nas tantas crianças, nos tantos idosos, totalmente inocentes.”

Rezar pela paz

O Pontífice recordou que se fez um apelo ao diálogo desde os primeiros dias do conflito, buscando soluções por meio da negociação, para resolver os problemas sem chegar a este ponto. “Em vez disso, estamos aqui”.

“Gostaria de convidar todos a rezar, mas também a procurar formas de se comunicar — talvez com os ‘congressistas’ (membros do Congresso), com as autoridades — para dizer que não queremos a guerra, queremos a paz! Somos um povo que ama a paz. Há tanta necessidade de paz no mundo!”

Uma guerra definida como injusta

Também em inglês, o Papa repetiu os mesmos conceitos, convidando “todas as pessoas de boa vontade a buscar sempre a paz e não a violência, a rejeitar a guerra, especialmente uma guerra que muitos definiram como injusta, que continua a se intensificar e que não resolve nada”.

O Santo Padre se deteve, então, nas crises que atravessam o mundo: a econômica, a energética, e olhou para “a grande instabilidade no Oriente Médio, que está apenas provocando mais ódio em todo o mundo”. Repetidas vezes, reforçou seu convite ao diálogo, a pensar nas vítimas inocentes e que “todos os ataques à infraestrutura civil são contra o direito internacional, mas são também um sinal do ódio, da divisão, da destruição de que o ser humano é capaz”. E dirigiu-se aos cidadãos de todos os países envolvidos para que façam ouvir a sua voz de paz. “As pessoas querem a paz.”

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