Em sua Mensagem de Páscoa, Leão XIV frisou que a força de Jesus ressuscitado é não violenta e convidou fiéis à vigília de oração pela paz em 11 de abril
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV acena para os fiéis do balcão central da Basílica de São Pedro / Foto: REUTERS/Remo Casilli
Após celebrar a Missa de Páscoa na manhã deste domingo, 5, o Papa Leão XIV leu a sua Mensagem de Páscoa. Do balcão central da Basílica de São Pedro, o Pontífice dirigiu-se à Cidade de Roma e ao Mundo e concedeu a bênção Urbi et Orbi.
O Santo Padre iniciou sua fala recordando que “a Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio”. Contudo, esta vitória teve um preço muito alto, pois Cristo, o Filho do Deus vivo, precisou morrer em uma cruz após sofrer uma condenação injusta.
“Como verdadeiro Cordeiro imolado, tomou sobre si o pecado do mundo e assim nos libertou a todos do domínio do mal, e conosco também a criação”, afirmou Leão XIV. Ele então questionou como Jesus pôde vencer a morte, convidando os fiéis a refletirem e apontando que “esta força, este poder é o próprio Deus”.
Páscoa, princípio da nova humanidade
“Cristo, o nosso ‘Rei vitorioso’, travou e venceu a sua batalha através do abandono confiante à vontade do Pai, ao seu desígnio de salvação”, enfatizou o Papa. Ele destacou que Jesus percorreu até o fim o caminho do diálogo — não com palavras, mas com obras: “para nos encontrar a nós, que estávamos perdidos, fez-se carne; para nos libertar a nós, que éramos escravos, fez-se escravo; para nos dar vida a nós, mortais, deixou-se matar na cruz”.
O Pontífice comparou a força com que Cristo ressuscitou, completamente não violenta, à de um grão de trigo. Ao decompor-se na terra, ele cresce, abre passagem, germina e transforma-se numa espiga dourada. “É ainda mais semelhante à do coração humano que, ferido por uma ofensa, rejeita o instinto de vingança e, cheio de piedade, reza por quem o ofendeu”, acrescentou o Santo Padre.
“Irmãos e irmãs, esta é a verdadeira força que traz a paz à humanidade, porque gera relações respeitosas a todos os níveis: entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, as nações. Não visa o interesse particular, mas o bem comum; não pretende impor os próprios planos, mas contribuir para os conceber e concretizar em conjunto com os outros”, enfatizou Leão XIV.
“A ressurreição de Cristo é o princípio da nova humanidade”, continuou o Papa, “é a entrada na verdadeira terra prometida, onde reinam a justiça, a liberdade e a paz, onde todos se reconhecem irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai que é Amor, Vida e Luz”.
Alerta contra a indiferença
O Pontífice sinalizou ainda que, por meio de sua ressurreição, o Senhor coloca o homem ainda mais intensamente diante do drama da liberdade. “Diante do sepulcro vazio, podemos encher-nos de esperança e admiração, como os discípulos, ou de medo, como os guardas e os fariseus, obrigados a recorrer à mentira e ao subterfúgio para não reconhecerem que aquele que fora condenado tinha realmente ressuscitado”, observou.
“À luz da Páscoa, deixemo-nos surpreender por Cristo! Deixemos transformar o nosso coração pelo seu imenso amor por nós! Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar”, exortou o Santo Padre.
Neste contexto, Leão XIV denunciou a indiferença com a qual a humanidade se acostumou frente à violência que marca a atualidade. “A cruz de Cristo recorda-nos sempre o sofrimento e a dor que envolvem a morte, e o tormento que ela acarreta. Todos temos medo da morte e, por medo, voltamo-nos para o outro lado, preferimos não olhar. Não podemos continuar indiferentes, não podemos resignar-nos ao mal”, salientou.
Vigília de oração pela paz
Aproximando-se do fim da mensagem, o Papa reiterou que a paz que Jesus entrega não é aquela que se limita a silenciar as armas, mas toca e transforma o coração de cada um. “Convertamo-nos à paz de Cristo! Façamos ouvir o grito de paz que brota do coração”, exclamou. Diante disso, o Pontífice convidou os fiéis a uma vigília de oração pela paz, que será realizada na Basílica de São Pedro, no dia 11 de abril.
“Neste dia de festa, abandonemos toda a vontade de contendas, domínio e poder, e imploremos ao Senhor que conceda a sua paz ao mundo atormentado pelas guerras e marcado pelo ódio e pela indiferença, que nos fazem sentir impotentes perante o mal”, concluiu o Santo Padre.
Após o anúncio da concessão de indulgência plenária a todos os fiéis presentes e aos que receberem a sua bênção feito pelo cardeal protodiácono Dominique Mamberti, Leão XIV saudou os fiéis em 10 idiomas diferentes, inclusive português, no qual disse:
“Feliz Páscoa! Levai a todos a alegria do Senhor Ressuscitado e presente entre nós.”
.: Leia a Mensagem de Páscoa do Papa Leão XIV na íntegra




