No Angelus deste domingo, 31, Leão XIV exortou fiéis presentes na Praça São Pedro a se deixarem educar por Jesus em sua humildade e liberdade
Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Papa Leão XIV acena para fiéis reunidos na Praça São Pedro / Foto: Vatican Media/Catholic Press Photo/Hans Lucas via Reuters Connect
Antes da tradicional oração do Angelus, o Papa Leão XIV meditou brevemente sobre o Evangelho do dia (Lc 14,1.7-14). Diante dos fiéis reunidos na Praça São Pedro neste domingo, 31, ele refletiu sobre a virtude da humildade.
A passagem bíblica relata um convite que Jesus recebeu para jantar na casa de um dos chefes dos fariseus. Lá, ele contou uma parábola, indicando por meio dela que “quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado” (Lc 14,11).
Iniciando sua reflexão, o Pontífice observou que quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado. Ele indicou que receber convidados amplia o espaço do coração, ao passo que ser convidado requer a humildade de entrar no mundo do outro. “Uma cultura do encontro se alimenta desses gestos que aproximam”, frisou.
“Jesus nos chama à liberdade”
Contudo, o Santo Padre pontuou que encontrar-se com o outro nem sempre é fácil. Apesar dos olhares sobre si, Jesus se aproximou verdadeiramente dos presentes. “No seu estilo próprio, com uma parábola, descreve o que vê e convida aqueles que o observavam a pensar”, apontou Leão XIV.
Jesus notou como os convidados para aquele jantar se apressaram para ocupar os primeiros lugares – algo que acontece ainda hoje, nas ocasiões em que é importante “ser notado”, sublinhou o Papa. Neste contexto, ressaltou que sentar-se à mesa eucarística significa também deixar a palavra a Jesus.
“Ele torna-se de bom grado nosso hóspede e pode descrever-nos como nos vê. É muito importante ver-nos com o seu olhar: repensar como muitas vezes reduzimos a vida a uma competição; como mudamos quem somos para obter algum reconhecimento; como nos comparamos inutilmente uns aos outros. Parar para refletir, deixar-nos abalar por uma Palavra que questiona as prioridades que ocupam o nosso coração, é uma experiência libertadora. E Jesus nos chama à liberdade”, declarou o Pontífice.
Humildade, forma plena da liberdade
O Santo Padre pontuou que Jesus usou a palavra “humildade” para descrever a forma plena da liberdade. “A humildade é, em verdade, a liberdade de si mesmo”, afirmou. Leão XIV acrescentou que tal virtude nasce quando o Reino de Deus e a sua justiça despertam o interesse humano, levando-o a olhar para longe, não para si mesmo.
“Quem se exalta, em geral, parece não ter encontrado nada mais interessante do que si mesmo e, no fundo, é muito inseguro”, alertou o Papa, “mas quem compreendeu ser tão precioso aos olhos de Deus, quem sente profundamente ser filho ou filha de Deus, tem coisas maiores pelas quais se exaltar e tem uma dignidade que brilha por si mesma. Ela vem em primeiro plano, está em primeiro lugar, sem esforço e sem estratégias, cada vez que aprendemos a servir, em vez de nos servirmos das situações”.
Ao finalizar sua meditação, o Pontífice convidou os presentes a pedir que a Igreja seja para todos uma academia de humildade, ou seja, uma casa “onde todos são sempre bem-vindos, onde os lugares não precisam ser conquistados, onde Jesus ainda pode tomar a Palavra e educar-nos na sua humildade, na sua liberdade”.