Papa: O povo não perdoa um padre apegado ao dinheiro

Francisco alertou os estudantes sobre o perigo do carreirismo acadêmico

Da Redação, com Santa Sé

Papa: O povo não perdoa um padre apegado ao dinheiro

Francisco recebe estudantes dos Colégios Pontifícios de Roma / Foto: L´Osservatore romano

O Papa Francisco recebeu, nesta segunda-feira, 12, na Sala Paulo VI, alunos, professores e reitores dos Colégios Pontifícios presentes em Roma. O Pontífice respondeu as perguntas, feitas de modo espontâneo, dos seminaristas e sacerdotes.

Os temas tratados,  durante a conversa com os estudantes,  foram variados. Entre eles, Francisco abordou a formação dos sacerdotes. Nesse sentido, falou do perigo do “carreirismo”, que pode acometer os seminaristas e padres durante os anos de estudo em Roma.

“Eles vêm à Roma para a formação intelectual, mas não se pode entender um padre que não tenha uma vida comunitária, uma vida espiritual e apostólica. O purismo acadêmico não faz bem, e vocês são chamados a ser sacerdotes, presbíteros; esta é a regra fundamental”, destacou o Papa.

Francisco destacou que ao procurar somente a vida acadêmica, o sacerdote pode “escorregar” nas ideologias, e isso trará grandes danos. “Isso adoece a concepção de Igreja. Para entender a Igreja é necessário o estudo, sim, mas são necessárias também a oração, a vida comunitária e a vida apostólica”, enfatizou.

O Papa enfatizou a importância da vida comunitária vivida nos colégios pontifícios, mesmo com tantas dificuldades enfrentadas. Afirmou ser necessária para a formação do próprio seminarista ou sacerdote no aprendizado da partilha fraterna.

“É verdade, há problemas, há lutas: as lutas pelo poder, luta de ideias, até mesmo as lutas ocultas; e existem os pecados capitais: inveja, ciúmes. A vida comunitária não é o paraíso, mas, pelo menos, é o purgatório”,  enfatizou Francisco, recordando um santo jesuíta que dizia ser a vida em comunidade a maior penitência.

Francisco alertou os estudantes a não se perderem em meio aos variados recursos para superar os problemas e as dificuldades como psiquiatras, terapias, que são válidos, mas devem procurar, em primeiro lugar, o cuidado da Virgem Maria. “Um padre órfão é aquele que se esquece de sua mãe”, enfatizou.  O Papa pediu ainda para que nunca terminem um dia sem visitar Jesus no Sacrário.

O Pontífice destacou que, diante do serviço a eles confiado, é necessário o testemunho pessoal. O Papa enfatizou, portanto, que o povo conhece as fraquezas dos sacerdotes, mas que existem pecados que os fiéis não conseguem perdoar.

“Não o perdoam se você é um pastor apegado ao dinheiro, se você é um pastor vaidoso, que não trata bem as as pessoas (…). Dinheiro, vaidade e orgulho: são os três passos que nos levam a todos os pecados. O povo de Deus entende nossas fraquezas e as perdoa, mas a esses não podem perdoar”, alerta o Papa.

Por fim, o Santo Padre falou da importância da amizade entre os sacerdotes, afirmando ser um tesouro que deve ser guardado. “Mas como é bela a amizade sacerdotal, quando os padres, como irmãos, se conhecem, falam de seus problemas, de suas alegrias e expectativas!”, concluiu.

No fim da audiência, o santo Padre concedeu a todos a bênção e pediu orações.

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