CIÊNCIA

Papa envia mensagem a Conferência internacional sobre bioética

Francisco enviou uma mensagem à Conferência Internacional sobre a revisão da Declaração de Helsinque, que vem sendo realizada no Vaticano, e discute diretrizes éticas

Da redação, com Vatican News

Foto: Alessia Giuliani/IPA/Sipa USA via Reuters Connect

O Papa Francisco enviou, na manhã desta sexta-feira, 19, uma mensagem à Conferência Internacional sobre a revisão da Declaração de Helsinque, que vem sendo realizada entre os dias 18 e 19 de janeiro no Vaticano, na Antiga Sala do Sínodo. A organização do evento ficou a cargo da Associação Médica Mundial (WMA) em colaboração com a Associação Médica Americana (AMA – EUA) e a Pontifícia Academia para a Vida.

Este evento pretende levar medicina e saúde de ponta também às pessoas que vivem à margem da sociedade — respeitando, obviamente, os parâmetros éticos da profissão médica. “Tenho o prazer de saudar todos vós no início da conferência organizada pela Associação Médica Mundial, juntamente com a Associação Médica Americana e a Pontifícia Academia para a Vida. O tema que está a abordar, ‘A Declaração de Helsinque: Investigação em contextos com poucos recursos’, é importante e oportuno, pois a própria Declaração destaca a questão fundamental da liberdade e do consentimento informado no que diz respeito à investigação clínica. Partindo dessa base, vimos, ao longo dos anos, como esse tema influenciou a prática médica como um todo”, disse o Papa.

O Sucessor de Pedro destacou que a Declaração foi essencial para contribuir no conceito de pesquisas “em” pacientes para pesquisas “com” pacientes. “Bem sabemos o quão significativa esta mudança foi para a prática da medicina na promoção de uma nova harmonia na relação entre médico e paciente. Embora a assimetria presente na relação terapêutica seja bastante evidente, o papel central que o doente deveria ter ainda não se tornou realidade”, ponderou.

Atenção aos mais pobres

Francisco também ressaltou a importância dos cuidados médicos, especialmente às pessoas mais necessitadas. Para o Santo Padre, os países mais pobres vivem sob uma “posição de desvantagem”.

“A investigação clínica em países de baixo rendimento é uma área especialmente suscetível a tais vulnerabilidades. Na verdade, estas preocupações constituem um aspecto particular daquela proteção que precisamos sempre de assegurar, em todos os aspectos da nossa vida conjunta, às pessoas nas nossas sociedades que estão em maior risco. Assistimos a muitas injustiças que empurram os países pobres para uma posição de desvantagem, em termos de acesso e utilização dos recursos disponíveis, deixando-os à mercê dos países mais ricos e das entidades industriais que parecem insensíveis àqueles que não conseguem afirmar-se em termos econômicos, mesmo quando estão em jogo necessidades e direitos fundamentais”, observou o Pontífice.

“Estou feliz por vocês considerarem essas questões”, enalteceu Francisco. “Buscando não apenas abordar suas implicações no nível teórico, mas também encontrar soluções concretas. Porque precisamos de equilibrar as oportunidades de investigação e o bem-estar dos pacientes, para que as despesas pela investigação e acesso aos benefícios resultantes sejam distribuídos equitativamente”.

A Conferência termina nesta sexta-feira, 19. “Com estes sentimentos, apresento os meus sinceros votos pelas vossas deliberações e pelo vosso trabalho. Sobre todos os participantes nesta conferência, invoco de bom grado as abundantes bênçãos de Deus Todo-Poderoso”, findou o Papa.

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