Em discurso na ONU, Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas destacou a proteção de crianças, migrantes e pessoas deslocadas forçadamente
Da Redação, com Vatican News

62ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos ressaltou que proteção de menores é indispensável. Foto: Ksenia Makagonova via Unsplash.
O Núncio Apostólico e Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas e a outras organizações internacionais em Genebra, Dom Ettore Balestrero, discursou nesta segunda-feira, 22, durante a 62ª Sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre o tráfico de pessoas — em especial de mulheres e menores de idade —, além de temas como apatridia, migração e deslocamento forçado. Na ocasião, ele dialogou com a relatora especial sobre o tema.
Dom Balestrero reforçou que, em um mundo marcado por “guerras, terrorismo, tráfico de pessoas e agressões generalizadas”, é particularmente importante que as crianças vítimas de tráfico “experimentem uma cultura da vida, do diálogo e do respeito mútuo”. Nesse sentido, a Santa Sé reiterou “a importância da prevenção, da proteção, da libertação e da reabilitação” desses menores.
Proteção e reabilitação necessárias
O representante da Santa Sé ressaltou que a criação de rotas migratórias seguras e regulares contribui para impedir a atuação de traficantes de pessoas. Destacou ainda o papel fundamental da família, especialmente por meio do reagrupamento familiar e da proteção de menores desacompanhados. O cardeal alertou que o tráfico de pessoas constitui uma “forma contemporânea de escravidão” e uma grave violação da dignidade humana concedida por Deus.
Em consonância com o Papa Leão XIV, citado na encíclica Magnifica Humanitas, um menor vítima de tráfico é, acima de tudo, uma vítima que merece proteção, compaixão e assistência, tendo a possibilidade de se reabilitar em vez de ser punido por atos decorrentes da exploração sofrida, uma vez que “o crime é dos traficantes, não da criança”.
Alerta à escravidão digital
A declaração foi concluída destacando que os sistemas digitais agravam a vulnerabilidade de menores em situação de deslocamento, facilitando a atuação de redes criminosas. O texto definiu como preocupante o crescimento da chamada “escravidão cibernética” (cyber slavery), que atrai vítimas para esquemas fraudulentos e atividades ilícitas, como fraudes online e tráfico de drogas.
O Santo Padre também denunciou, em mensagem para o 12º Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, celebrado em 8 de fevereiro de 2026, que as redes criminosas “frequentemente utilizam plataformas on-line e canais anônimos para recrutar, controlar e transferir suas vítimas, que, na maioria das vezes, são menores”.




