Papa Francisco, convida bispos para maior proximidade com sacerdotes e fiéis e agradece pela acolhida aos imigrantes
Da redação
Alessandra Borges
com colaboração Renata Vasconcelos
“Sede pastores próximos das pessoas, pastores próximos e servidores. Esta proximidade manifeste-se de forma especial para com os vossos sacerdotes.” As palavras de encorajamento foram dirigidas nesta quarta-feira, 23, pelo Papa Francisco durante um encontro na Catedral de Mateus, em Washington – DC, após se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca.
O Papa Francisco, que está nos Estados Unidos deste ontem, reuniu-se com o episcopado norte-americano para um momento de partilha e reflexão sobre algumas questões pastorais como a importância do diálogo e os desafios enfrentados para receber e proporcionar uma integração com os imigrantes.
Sobre os imigrantes, o Santo Padre exortou :”A minha segunda recomendação diz respeito aos imigrantes. Peço desculpa se falo em causa que de certo modo vos é própria. A Igreja dos Estados Unidos conhece, como poucas, as esperanças dos corações dos peregrinos. Desde sempre aprendestes a sua língua, sustentastes a sua causa, integrastes as suas contribuições, defendestes os seus direitos, favorecestes a sua busca da prosperidade, conservastes acesa a chama da sua fé”, reforçou Francisco.
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O Santo Padre agradeceu aos bispos pelo dinamismo do Evangelho, no quais, eles tem fortificado a evangelização e o notável crescimento a Igreja de Cristo nos Estados Unidos.
“Vejo com vivo apreço e agradeço comovido a vossa generosidade e solidariedade com a Sé Apostólica e com a evangelização em muitas partes atribuladas do mundo. Alegro-me com o indómito empenho da Igreja em prol da causa da vida e da família, motivo saliente desta minha visita. Sigo atentamente o esforço enorme feito para a recepção e integração dos imigrantes, que continuam a olhar para a América com a visão dos peregrinos que chegaram aqui à procura dos seus promissores recursos de liberdade e prosperidade”, disse.
O diálogo e os desafios da evangelização
Papa Francisco partilhou com os bispos das dificuldades, que ele mesmo encontra, para semear o evangelho aos diferentes povos que trazem no coração as suas histórias de vida e sofrimento, mas como seus antecessores, ele vem para reforçar as doutrinas que servem para orientá-los e guiá-los nos programas pastorais.
“Conheço bem o desafio de semear o Evangelho no coração de homens, originários de mundos diferentes, muitas vezes endurecidos pela estrada dura percorrida antes de se estabelecerem. Somos bispos da Igreja, pastores constituídos por Deus para apascentar o seu rebanho. A nossa maior alegria é ser pastores, nada mais do que pastores, de coração indiviso e entrega irreversível de nós mesmos. É preciso guardar esta alegria, não deixando que no-la roubem”, partilhou o Pontífice.
Os bispos foram encorajados pelo Papa Francisco para não se deixarem ser paralisados pelo medo e a timidez, mas sim por um espírito de coragem e um fortalecimento do diálogo entre os presbitérios, leigos, as famílias e a sociedade.
“Bem sei que são numerosos os vossos desafios, muitas vezes é hostil o campo onde semeais e não são poucas as tentações de fechar-se, no recinto dos medos, a lenir as feridas, recordando um tempo que não volta e planificando respostas duras às resistências já ásperas. O diálogo é o nosso método, não por astuciosa estratégia, mas por fidelidade Àquele que nunca Se cansa de passar e repassar pelas praças dos homens até às cinco horas da tarde a fim de lhes propor o seu convite de amor (Mt 20, 1-16)”, exortou Francisco.
Ano da Misericórdia
O Pontífice também salientou aos bispos sobre o “Ano Santo da Misericórdia” que iniciará no final deste ano, 2015, que é a oportunidade de reforçar a missão episcopal de cimentar a unidade, cujo o conteúdo é determinado pela Palavra de Deus.
“O Ano Santo da Misericórdia, já iminente, ao introduzir-nos na profundidade inexaurível do Coração divino onde não habita qualquer divisão, seja para todos uma ocasião privilegiada para reforçar a comunhão, aperfeiçoar a unidade, reconciliar as diferenças, perdoar-se uns aos outros e superar qualquer facção, de modo que assim brilhe a vossa luz como «a cidade situada sobre um monte» (Mt 5, 14)”, destacou o Santo Padre.
Segundo Francisco o futuro da liberdade e a dignidade da nossa sociedade depende da forma como responderemos aos desafios em relação a valorização da vida, os imigrantes, os idosos, os doentes, as vítimas de terrorismo, das guerras, a violência, o narcotráfico e o meio ambiente.
“Para isso, é muito importante que a Igreja nos Estados Unidos seja também um lar humilde que atrai os homens pelo fascínio da luz e o calor do amor. Como pastores, conhecemos bem a escuridão e o frio que ainda existe neste mundo, a solidão e o abandono de tantas pessoas – mesmo onde abundam os recursos de comunicação e as riquezas materiais – o medo face à vida, os desesperos e as suas múltiplas fugas. Por isso, só uma Igreja que saiba reunir à volta do fogo do lar permanece capaz de atrair”, disse Francisco.