Encontro com autoridades

No Egito, Papa reitera condenação à violência em nome de Deus

Francisco se reuniu com as autoridades civis do país e discursou em prol da paz e respeito mútuo

Jéssica Marçal
Da Redação

O aperto de mão entre o Papa e o presidente egípcio / Foto: Reprodução CTV

Após a participação na Conferência Internacional em prol da Paz, realizada no Cairo, Egito, o Papa Francisco reuniu-se com as autoridades do país nesta sexta-feira, 28, primeiro dia de sua visita. Foram cerca de 800 representantes das diversas instituições do corpo diplomático e sociedade civil do Egito.

Acesse
.: Íntegra do discurso do Papa

.: Cobertura completa da viagem do Papa ao Egito

O presidente Abdul Fatah Khalil Al-Sisi destacou seu orgulho e apreço profundo pela pessoa do Papa, por suas tomadas de decisão que dão segurança, paz e esperança, palavras que semeiam o bem e esperança no coração das pessoas. Ele recordou que a visita do Papa se dá no ano em que as relações diplomáticas entre Egito e Santa Sé completam 70 anos.

“O terrorismo sombrio atinge todo lugar, sem distinção, priva-nos de pessoas queridas, de amigos e aquilo que mais nos aflige é que essas forças do mal pretendem falar em nome do Islã, enquanto o Islã verdadeiro não tem nada a ver com eles. O Islã jamais ensinou o assassinato de inocentes. O Islã sempre ensinou o respeito ao outro, a liberdade de credo”, frisou o presidente egípcio.

Leia também
.: Dom Francisco Biasin comenta importância da viagem do Papa ao Egito

Segundo Al-Sisi, o Egito paga um tributo alto no enfrentamento deste confronto; ele reiterou a necessidade de acabar com o terrorismo e expressou seu reconhecimento pela participação do Papa na Conferência pela Paz. “Vossa Santidade é hóspede querido no Egito”, acrescentou.

Discurso do Papa

Em seu discurso, o Santo Padre denunciou a violência cega e desumana constituída pelo comércio de armas, pelo desejo de poder e pelo extremismo religioso, que utiliza o santo nome de Deus para massacres e injustiças.

Autoridades acompanham discurso do Papa / Foto: Reprodução CTV

Nesse cenário, Francisco destacou que a tarefa singular do Egito é reforçar e consolidar a paz regional, apesar de ver o próprio território ferido por violência cega. Uma violência que faz muitas famílias sofrerem e chorarem por seus filhos e filhas.

Nesse momento o Papa mencionou as pessoas que nos últimos anos deram a vida para proteger sua pátria, os assassinatos e ameaças que levaram ao êxodo e também os recentes atentados contra as igrejas coptas, em dezembro passado e no último Domingo de Ramos. “Expresso viva gratidão às autoridades civis e religiosas e a quantos deram assistência a essas pessoas tão provadas (…) Aos familiares e a todo o Egito, minhas condolências com a certeza das minhas orações ao Senhor”.

Necessidade de paz

Não faltou no discurso do Papa o reconhecimento aos projetos nacionais em favor da paz no país e fora dele. “O desenvolvimento a prosperidade e a paz são bens indispensáveis e requerem trabalho sério, compromisso convicto, metodologia adequada e respeito pelos direitos inalienáveis do homem (…) Não se pode construir a civilização sem repudiar toda a ideologia do mal, da violência e interpretação extremista que pretende aniquilar o outro e destruir a diversidade, manipulando e ultrajando o santo nome de Deus”.

O Santo Padre frisou às autoridades o dever que todos têm de ensinar às novas gerações que Deus nunca quer a morte de seus filhos, mas sua felicidade, e que não pode justificar a violência, pois a rejeita. Deus é o Deus da liberdade e o verdadeiro amor chama ao respeito pela vida, destacou o Papa.

“Temos o dever de desmantelar os planos homicidas e as ideologias extremistas, afirmando a incompatibilidade entre a verdadeira fé e a violência, entre Deus e os atos de morte. Ao contrário, a história honra os construtores de paz, que com coragem e sem violência lutam por um mundo melhor”.

O próximo compromisso do Papa é o encontro com o Patriarca Tawadros II. Ele retoma a agenda de compromissos amanhã, 29, com a Missa para a pequena comunidade católica local e o encontro com o clero, religiosos e seminaristas, ao final do qual retorna ao Vaticano. 

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo