Esta é a primeira vacina, dose única, que foi aprovada em todo o mundo
Reportagem de Aline Imercio e Antonio Matos
A vacina contra a dengue, produzida pelo Instituto Butantan, já tem data para começar a ser aplicada. A partir do dia 17 de janeiro, uma parcela da população poderá receber a dose única do imunizante em duas cidades do país.
Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais, serão as primeiras cidades a receber a vacina de dose única do Instituto Butantã no dia 17 de janeiro. No dia 18 será a vez de Botucatu, em São Paulo. A estratégia do Ministério da Saúde visa compreender o desempenho da vacina no público de 15 a 59 anos.
“Nesses três municípios, nós vamos poder entender a como que se controlaria uma doença, vacinando que porcentagem da população que nós conseguiríamos obter um melhor resultado”, falou o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri.
A vacina produzida no Brasil tem 74% de eficácia contra a dengue sintomática e 89% de proteção contra a forma grave da doença. Nesta fase de testes, a prioridade também é aplicar o imunizante em alguns dos profissionais da atenção primária que atuam em unidades básicas de saúde. “Então, lembrar que para população, de uma maneira geral, não estará disponível este ano ainda, talvez só no segundo semestre, quando incrementar a produção”, retomou ele.
De acordo com o Ministério da Saúde, no ano passado o país confirmou mais de 1.400.000 casos de dengue. São Paulo foi o estado que concentrou o maior número de diagnósticos, mais de 800.000. Para especialistas em saúde, a vacina sinaliza a redução nos casos. “É a primeira vacina, dose única que foi aprovada em todo o mundo. Facilita enormemente, portanto, as campanhas de implementação de vacinas e prevenção da doença”, afirmou o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás.
“A vacina não é para toda a população, ou seja, nós temos que continuar controlando o vetor. O que exponencia o número de casos é essa combinação perversa, muito mosquito e muita gente doente. Nós precisamos inverter essa lógica. Nós precisamos baixar a população de mosquitos e baixar o número de doentes através da vacinação para que essa combinação caminhe no sentido contrário”, concluiu Renato.




