CIÊNCIA

Tratamento experimental com polilaminina tem resultados promissores

Confira histórias de superação e aprofundamentos nas pesquisas de lesões medulares

Um tratamento experimental desenvolvido no Brasil para lesões na medula espinhal tem despertado atenção dentro e fora do país. Apesar dos primeiros resultados considerados promissores, especialistas ressaltam que a terapia ainda precisa passar por etapas que comprovem sua segurança e eficácia.

Reportagem de Adilson Sabará
Imagens da Reuters e Júlio Menezes

 

Estudos em animais são realizados desde os anos 2000. Os testes em humanos ainda estão em fase inicial. O interesse pelo tratamento com a polilaminina, uma proteína derivada da placenta que estimula a regeneração de nervos lesionados, cresceu após a divulgação de resultados preliminares em pacientes com lesão medular.

“Então a gente já informou para mais de 4.700 pessoas que eles não são elegíveis. As outras 300 a gente está filtrando porque a gente precisa de mais informações para que a gente possa fazer”, constou o vice-presidente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Cristália, Rogerio Almeida.

O entusiasmo pela descoberta mobilizou órgãos públicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária criou um comitê para acelerar a análise de tratamentos considerados promissores. Os resultados até aqui são animadores, mas ainda insuficientes para comprovar a eficácia do tratamento.

Um dos casos mais conhecidos é o de Bruno Drummond, que sofreu uma grave lesão medular após um acidente e participou do estudo. Os pesquisadores reconhecem que sua recuperação chamou a atenção da comunidade científica, mas ressaltam que ainda não é possível afirmar com certeza quanto da melhora pode ser atribuída ao medicamento.

“Eu posso responder assim, ele poderia ter passado de A, que era lesão completa para D, sem a polilaminina. Poderia, tem 10% que melhora. Sim. Se ele poderia ter recuperado tudo que ele recuperou, o que me dizem é que não”, explicou a pesquisadora, Tatiana Sampaio. 

Para Bruno, a polilaminina teve papel decisivo em sua recuperação, mas ele também destaca a importância da fisioterapia e do acompanhamento contínuo. “Porque não adianta nada a polilaminina abrir o caminho pros se reconectarem se não tiver estímulo. Hoje em dia eu sou 100% independente, eu faço tudo, eu dirijo, consigo ir pro trabalho, consigo digitar no computador, cozinhar, fazer musculação, faço trilha”, confirmou o paciente, Bruno Drummond de Freitas. 

Apesar das expectativas positivas, entidades médicas reforçam que a ciência exige tempo, testes rigorosos e acompanhamento cuidadoso para confirmar a segurança e a eficácia de qualquer novo tratamento.

“A gente é a favor da esperança. O médico sempre é esperançoso, de tudo dar certo. Agora, precisa de ter critérios robustos para que a gente confirme tudo isso”, completou o presidente da Academia Brasileira de Neurologia, dr. Delson José da Silva. 

Enquanto os ensaios clínicos seguem em andamento, a polilaminina representa ao mesmo tempo uma promessa para milhares de pacientes e um desafio para a comunidade científica. Transformar esperança em evidência comprovada.

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