AJUDA ESPECIALIZADA

Setembro Amarelo chama atenção para o sofrimento emocional e a escuta

Testemunho de padre Lício ressalta o valor da escuta e acolhimento

Neste 10 de setembro, uma mobilização mundial chama a atenção para quem enfrenta momentos de profundo sofrimento emocional. A data reforça a importância do acolhimento, da escuta e da busca por ajuda especializada.

Reportagem de Aline Imercio e Gilberto Pereira

O Padre Lício hoje está mais forte e não demonstra a tristeza que enfrentou no passado. Aos 13 anos, perdeu o pai de forma trágica. A mãe, em razão do ato do marido contra a própria vida, desenvolveu depressão.
“O meu pai se matou. O meu pai morreu por suicídio. Isso teve um impacto muito grande na minha vida pessoal e na vida da minha mãe. Foram trinta anos de terapia e de direção espiritual para poder reelaborar, ressignificar a morte dele”, contou o sacerdote.
Hoje, o Padre Lício transformou a dor da perda em uma forma de ajudar o próximo. Há dez anos, ele é especialista em suicidologia e um dos grandes incentivadores da Campanha Setembro Amarelo, que conscientiza sobre os cuidados com a saúde mental. Em suas palestras, o padre Lício também lembra que, no ano de 1970, quando perdeu o pai, a Igreja proibia ritos fúnebres a quem cometia atos como o do seu pai. Hoje essa visão é diferente.
“Se a ciência diz que a grande maioria quer matar sua dor e não sua vida, quem é que sabe a intenção? Só Deus sabe. A Igreja diz hoje: ‘Não julguemos. Não vamos nos colocar no lugar de Deus. Não percamos a esperança de salvação e rezemos pelas almas das pessoas que se mataram’”, afirmou o padre.
A prevenção ao suicídio envolve o apoio de familiares e amigos, que podem notar mudanças de comportamento, falas contra a própria vida e sinais de isolamento social.“Ter essa capacidade de acolher essa dor sem emitir um julgamento prévio, ter aquele momento em que a pessoa vai expor aquele peso sem chegar com uma solução pronta e sem diminuir o sofrimento, mas acolhendo no sentido católico: o Cristo no outro”, aconselhou o psicólogo João Dantas.“Motive a pessoa a procurar o CAPS, que integra a rede pública. É possível ligar para o CVV pelo número 188 — uma ligação gratuita — e buscar profissionais de saúde mental, além de rezar, que é a nossa obrigação como cristãos”, finalizou o padre.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo
Skip to content