HISTÓRIA

São Paulo recebe exposição sobre as origens da arte barroca

Mostra ressalta contribuição de Frei Agostinho de Jesus para a arte sacra brasileira

Quatro séculos de arte e história estão reunidos em uma exposição em São Paulo. A mostra apresenta 48 obras raras de Frei Agostinho de Jesus, considerado um dos pioneiros da arte sacra brasileira. As peças ajudam a revelar as origens e a formação da arte barroca no país.

Reportagem de Flavio Rogério e Leandro Iarussi 
Produção de Luciana Santos
Edição de Augusto Souza

Esculturas em terracota, oratórios, mobiliário colonial, pratarias e painéis que ajudam a contar um pouco da história do Brasil do século XVII, antes mesmo do surgimento do Barroco Mineiro. As obras e a história de Frei Agostinho de Jesus têm atraído visitantes como Beatriz Araújo. “Não, não conhecia a história dele. Tô muito bem impressionada com as peças, com a qualidade da exposição, qualidade da curadoria. É impressionante”, relatou a administradora de empresas.
A exposição é considerada a primeira grande mostra focada em destacar o legado e a influência do monge beneditino Frei Agostinho de Jesus, que criou uma identidade brasileira para a arte barroca. “A ideia desta exposição surgiu como uma necessidade de pesquisa e de eh divulgar a obra do Frei Agostinho de Jesus, que é considerado um dos primeiros grandes artistas nascidos no Brasil no período colonial e que deixou uma obra em escala continental, desde o Rio de Janeiro, passando pela Bahia e sobretudo aqui em São Paulo, no Vale do Tietê e no Vale do Paraíba. Os visitantes vão encontrar essencialmente imagens de terracota, obras da sua produção, tanto obras que pertencem hoje ao Museu de Arte Sacra de São Paulo e coleções particulares”, explicou o curador da exposição, Rafael Schunk.
Agostinho de Jesus nasceu no Rio de Janeiro por volta de 1600. Foi sacerdote e integrou a ordem de São Bento, vivendo grande parte de sua vida em São Paulo. Rafael Schunk é um dos principais especialistas da biografia do monge beneditino.
“Ele vai receber as ordens monásticas em Portugal, pois naquela época não haviam bispos para ordenar religiosos aqui no Brasil. A Sé estava vacante. Quando ele volta, ele ainda trabalha com Frei Agostinho da Piedade, que será o seu grande mestre na Bahia, e é enviado para a região de Santana de Parnaíba, aqui em São Paulo, onde ele vai produzir as suas obras primas, que são considerados então o berço da arte sacra brasileira. Nós temos aqui um panorama da sua produção e também os seus seguidores, os seus discípulos”, ressaltou ele.
A exposição fica em cartaz até outubro, na Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, no Morumbi, zona sul da capital paulista. Às terças-feiras os ingressos são de graça. “Muito gostoso de vir aqui visitar, porque são todas temporárias e com temas muito variados que vale muito a pena, que muitos a gente não conhece”, expressou a visitante.

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