Em ano eleitoral, recursos podem impactar as contas públicas e impulsionar disputas políticas
Um pacote de programas sociais do governo federal deve injetar cerca de R$ 88 bilhões de reais na economia do Brasil em 2026. Os recursos podem impactar as contas públicas em ano eleitoral e impulsionar as disputas políticas.
Reportagem de Francisco Coelho e Ersomar Ribeiro
Tradicionalmente, o ano eleitoral é marcado por anúncios dos chamados pacotes de bondades, programas com o objetivo de elevar a popularidade de governos por meio de ações diretas voltadas à população.
Para este ano, o poder executivo já preparou uma série de medidas destinadas à transferência de renda para parcelas da população em situação de maior vulnerabilidade. Na avaliação de cientistas políticos, os programas lançados pelo governo devem contribuir para a melhoria da popularidade do presidente Lula. “Todas essas bolsas auxiliares o ajudam diretamente na eleição. Por isso que esse pacote que pode chegar até 90 bilhões até o final do ano pode trazer resultados significativos nas eleições e talvez a economia e o bem-estar possa ser uma das pautas mais importantes”, afirmou o cientista político, Rócio Barreto.
Oito programas sociais foram criados e devem custar cerca de R$ 88 bilhões de reais. Desse total, 33 bilhões vão acarretar em perda de arrecadação. É o caso da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5.000. O mercado financeiro avalia que a elevação de gastos pode gerar desconfiança no investidor e pressionar a inflação.
Um relatório do BTG Pactual aponta que o governo inicia o ano com maior espaço fiscal, mas alerta para a necessidade de evitar gastos que ultrapassem os limites definidos pelo próprio executivo.
Segundo a instituição, o crescimento do PIB deve ficar em 1,7%. A projeção anterior feita no ano passado indicava avanço de 2,2%. “Mais dinheiro circulando na economia faz com que os preços aumentem. E a gente cria um problema. Hoje a inflação tá ali eh dentro da tolerância da meta que é de 3%. Com essas medidas que podem fazer com que a inflação acelere, a gente pode ter um impacto considerável. Isso significa que o Banco Central vai ter mais dificuldade para controlar a inflação e juros mais altos”, concluiu o economista, Luccas Saqueto.




