Capitais registram mudanças nos preços de produtos essenciais
O consumidor encontrou algum alívio na hora de comprar alimentos em agosto. Mas, quando se olha para o ano inteiro, a conta ainda está mais cara em todas as capitais pesquisadas pelo Dieese, em parceria com a Conab.
Reportagem de Gabrielle Sanchotene e Sidiclei Sales
Fazer as compras ficou um pouco mais barato em boa parte do país. Entre julho e agosto, o preço da cesta básica caiu em 25 capitais brasileiras. As maiores reduções foram registradas em Rio Branco, Manaus e Boa Vista. Já Maceió e São Luís foram as únicas capitais onde houve aumento. “O que explicou essa queda foram alguns produtos que tiveram redução em seus preços em maior intensidade”, explicou a supervisora técnica do Dieese, Flávia Santana Rodrigues.
Entre os produtos pesquisados, o café em pó ficou mais barato em 23 capitais. O tomate caiu de preço em 22 cidades e o feijão teve redução em 20. Mas nem todos os alimentos acompanharam esse movimento. O arroz e o leite integral ficaram mais caros em 23 capitais.
Mesmo com a queda do preço da cesta básica, na maioria das capitais, o custo com alimentação ainda representa uma parcela significativa da renda do trabalhador. Para quem recebe salário mínimo, por exemplo, o custo básico de alimentação representou quase metade do salário líquido no mês de agosto.
“São Paulo teve o custo médio, o valor médio da cesta básica mais caro do país, ficou no valor de R$ 900,52 no mês de agosto. E isso varia de acordo com as capitais e as regiões do país”, retomou Flávia.
Nas 27 capitais pesquisadas, o trabalhador comprometeu em média 48,46% da renda líquida com a cesta básica. E o Dieese calcula que para uma família de quatro pessoas, o salário mínimo necessário para cobrir alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e outras despesas deveria ter sido de R$ 7.565, 86 em agosto.
“Porque assim, o salário da gente não é essas coisas todas, é o mínimo. Então, a gente tem que fazer o quê? Para lá no final do mês a gente não ter que está sobrando, a gente tem que pesquisar, ver o que a gente pode fazer, não botar o pé na frente da mão, porque não vai caber. E o certo é a gente pesquisar”, confirmou o comerciante, Adair Santos.
Em Aracaju, a cesta básica custou R$ 570,98, o menor valor entre as capitais pesquisadas. Mas no acumulado de 2026, o preço ainda registra a alta de 5,84%. Os dados mostram que mesmo com alívio registrado em agosto, todas as capitais tiveram aumento no preço da cesta básica no acumulado de 2026.




