SÉRIE DE REPORTAGEM

Políticas públicas: um meio para bem servir ao próximo

Veja o último episódio da série sobre bem comum na sociedade

O que acontece quando as diferenças políticas começam a pesar na forma como olhamos para o outro? No encerramento da série Sal da Terra, Luz do Mundo, nossa equipe mostra por que servir à sociedade exige ir além das preferências e posições políticas e colocar as pessoas no centro das decisões.

Reportagem de Gabriela Matos e Ersomar Ribeiro

 

Políticas públicas são ações, decisões e programas de Governo criados para resolver problemas do dia a dia, assegurar os direitos básicos e melhorar a vida das pessoas. “As políticas públicas, elas nascem como um remédio para solucionar um problema público, um problema da sociedade. É, por exemplo, um viaduto que precisa, um equipamento público que precisa ser construído numa região, uma UPA num determinado bairro”, explicou o gestor em Políticas Públicas e Gestão Governamental, Ailton Bispo.

Para elaborar políticas públicas, os gestores recorrem a dados do censo do IBGE e a informações produzidas por institutos de pesquisa e diferentes órgãos públicos.

Na saúde, por exemplo, há dados do SUS. Na educação, levantamentos do INEP. Essas informações ajudam a orientar programas nas áreas de saúde, segurança, educação, assistência social, acessibilidade e em outros setores de interesse da população.

Essas políticas também devem ser construídas com a participação de quem será diretamente beneficiado por elas. O cidadão pode contribuir desde o planejamento na definição de prioridades e em audiências públicas até a execução, acompanhando a aplicação dos recursos e utilizando instrumentos como a lei de acesso à informação.

Recursos públicos e decisões políticas devem atender aos cidadãos, independentemente de posicionamento político, condição social, idade ou qualquer outra diferença. Ao gestor público cabe administrar escolhas e prioridades, conciliando responsabilidade fiscal e proteção social.

O economista explica como esse equilíbrio pode ser alcançado na prática. “Através da execução bem feita do orçamento. Então, por exemplo, não deveria faltar dinheiro para medicamento, não deveria faltar dinheiro para equipamento hospitalar, não deveria faltar dinheiro para o custeio da máquina. Só que muitas vezes utiliza o dinheiro para outras coisas, para fazer um calçamento que chega no hospital”, apontou Jadson Xavier.

E quando perguntamos à população onde os investimentos públicos são mais necessários, as respostas apontam para uma mesma prioridade. “Na saúde”, disse a cidadã.
“Na saúde, porque tá péssima. Fazendo nada na saúde”,. comentou o entrevistado.
“A saúde”, disse a jovem.

Em uma sociedade marcada pela polarização, conviver também exige reconhecer as diferenças, sem transformar quem pensa diferente em adversário.

O desafio é preservar aquilo que temos em comum. “O princípio da legalidade, o princípio do bom senso, o princípio também do respeito à privacidade, à integridade, ao pensamento do outro. Sem isso, nós partimos de todos os âmbitos para o quê? Intolerância política, intolerância fisiológica, intolerância ideológica e também, lamentavelmente, intolerância religiosa”, analisou o bispo auxiliar do ordinariado Militar do Brasil, Dom José Falcão.

Sal e luz não existem para si mesmos. Um dá sabor, o outro permite enxergar o caminho. Ao longo desta série, mostramos que servir ao próximo também passa pelas escolhas que fazemos em sociedade.

Viver em sociedade exige reconhecer o outro, mesmo quando pensamos diferente. As diferenças permanecem, as opiniões também. O que não pode mudar é o valor de cada pessoa. E é desse princípio que nasce uma responsabilidade essencial na política, fazer do bem comum um compromisso com todos.

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