Alimentação nas escolas deve preservar saúde das crianças e adolescentes
Que os alimentos ultraprocessados podem trazer prejuízos à saúde, muita gente sabe. Mas quanto eles podem comprometer o desenvolvimento de adolescentes? O ambiente escolar é um fator determinante no consumo? Em Brasília, nossa equipe ouviu quem entende do assunto para responder esses questionamentos.
Reportagem de Gabriela Matos e Ersomar Ribeiro
Adolescentes que vivem em capitais brasileiras, que possuem leis específicas para restringir a venda de alimentos ultraprocessados em ambiente escolar, consomem menos esse tipo de produto.
É o que mostra um estudo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz. “Alimentos com muito sódio, com muito açúcar, com baixo teor nutricional.
Então são alimentos, por exemplo, a salsicha, o presunto, são alimentos que em excesso na nossa saúde faz muito mal”, afirmou a nutricionista infantil, Amanda Biavati.
A pesquisa aponta que a escola desempenha um papel importante na formação dos hábitos alimentares dos adolescentes. As cantinas escolares, presentes tanto em instituições públicas como privadas impactam diretamente a dieta dos estudantes, já que cerca de 1/3 dos alunos entre 13 e 17 anos compra alimentos ao menos uma vez por semana.
Brasília está entre as capitais que possuem controle sobre o consumo de alimentos ultraprocessados nos ambientes escolares. “Todas as nossas escolas possuem cantina escolar. As nossas próprias cozinhas com os nossos merendeiros é que fazem a alimentação dos nossos alunos da rede pública. São várias frutas, vários legumes e várias verduras”, contou a subsecretária de apoio às políticas educacionais, Fernanda Mateus.
Hoje, 19,4% dos adolescentes brasileiros têm sobrepeso e 6,4% já são obesos. Entre aqueles com maior consumo de ultraprocessados, 45% têm mais chance de obesidade, 52% de obesidade abdominal e 63% de desenvolver a gordura mais associada a risco de hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares.
“Se você não teve uma alimentação adequada, se você não teve, não fez esporte, se você é uma pessoa sedentária, tudo isso no final da vida vai te cobrar e geralmente um preço muito alto”, concluiu a especialista.
O guia alimentar para a população brasileira tornou-se referência mundial. O documento adota uma compreensão ampliada da alimentação para além da ingestão de nutrientes isolados, com foco no grau de processamento dos alimentos e na cultura alimentar.
Segundo o Conselho Federal de Nutrição, o guia reconhece a alimentação como prática cultural, social, ambiental e política. Lá os alimentos estão classificados como Inatura ou minimamente processados ingredientes culinários, além de alimentos processados e ultraprocessados.
