Cigarro eletrônico é a nova onda do momento entre os jovens, mesmo sendo proibido no Brasil
O avanço dos cigarros eletrônicos entre adolescentes brasileiros preocupa profissionais da saúde. Um levantamento do IBGE revela a dimensão do problema e reforça a necessidade de prevenção, especialmente entre os mais jovens.
Reportagem de Alan Toledo e Ederaldo Paulini
Com variadas essências e sabores e uma aparência menos inofensiva do que o tabaco comum, o cigarro eletrônico é a nova onda do momento entre os jovens, mesmo sendo proibido no Brasil.
“Lembrar que não é só vapor de água com cheirinho e gosto diferente. Aquilo lá é um aerosol que tem sim substâncias que são potenciais cancerígenos, que podem dar problemas de alergia, rinite, bronquite. E a gente nem sabe todos os malefícios que podem advir com o uso do cigarro eletrônico, porque é uma tecnologia relativamente recente.”, disse o Otorrinolaringologista – Lucas Maldonado.
30% dos estudantes de escolas públicas e particulares entre 13 e 17 anos, já experimentaram o cigarro eletrônico. As meninas são mais expostas a essa iniciação, 31,7% contra 27,4% entre os meninos. Além disso, 26,3% usaram o produto nos últimos 30 dias. Em contrapartida, os resultados indicam redução do uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas entre 2019 e 2024.
Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2024, divulgada este mês pelo IBGE. “Muitas vezes a curiosidade, né? Às vezes os amigos utilizam e pelo fato deles não utilizar, ele pode se sentir excluído por esse grupo, né? E para ficar fazendo parte do coletivo, ele vai buscar aquilo que o grupo tá usando”, disse a psicóloga, Amanda Peixoto Di Lorenzi.
Em muitos aparelhos, a nicotina também está presente, o que aumenta o risco e causa sérios problemas para o desenvolvimento do corpo humano. “Isso fatalmente pode prejudicar o desenvolvimento cerebral, causando doenças não só físicas, mas como mentais também. Isso sim pode perpetuar aí pro resto da vida dessa pessoa.”, acrescentou Maldonado.
Diante desse cenário, informação e conscientização são fundamentais para prevenir o uso e evitar que a experimentação se transforme em dependência. “Não espere para ter uma doença mais grave. Prevenção é a melhor estratégia. Então, não fumar é o melhor caminho. Com certeza.”, retomou o otorrinolaringologista.
Dentro de casa, essa prevenção também passa pela presença e pelo diálogo. “Já tem que haver uma conversa de orientação mostrando os malefícios do do uso de qualquer tipo de droga, não só do cigarro eletrônico, cigarro comum, né, drogas ilícitas, bebidas, né, no intuito de mostrar para esse jovem o que isso pode causar de malefícios ao longo da vida desse adolescente.”, concluiu a psicóloga Amanda Peixoto Di Lorenzi.




