SOLIDARIEDADE

Maternidade em São Paulo pede doações de leite materno humano

Enquanto algumas mães amamentam em casa, outras esperam, na UTI neonatal, que o leite doado chegue como esperança. Em São Paulo, um banco de leite precisa desse gesto de partilha que transforma cuidado em vida

Reportagem de Aline Imercio e Gilberto Pereira

Fabiana teve o pequeno Noa há menos de um mês. O bebê nasceu prematuro e com a baixa produção de leite da mãe, recebeu também o alimento do banco de leite humano no Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros.

“O meu leite ele não tá sendo, não está sendo produzido muito, tá sendo um pouco, então porque não tem o estímulo do bebê sugando. Então ele precisa desse leite para fazer alimentação, para ganho de peso”, contou a estudante de fisioterapia, Fabiana de Sousa Barbosa. 

A doação do leite materno é realizada por mulheres que estão amamentando e dispostas a ajudar outras mães que estão com seus filhos na UTI ou que nasceram prematuros. 

“Geralmente as mães que têm bebês prematuros, a mãe passa por vários estresses e a produção dela não é suficiente para manter o bebê dela. Por isso, nós contamos muito com a ajuda das doadoras”, explicou a superintendente em técnica de enfermagem do Banco de Leite Materno Leonor Mendes de Barros, Renata Giesta. 

De acordo com o Ministério da Saúde, todos os anos cerca de 150.000 1000 L de leite materno humano são coletados e distribuídos aos recém-nascidos no país e 1 L de leite pode alimentar até 10 bebês por dia. Mas aqui na maternidade Leonor Mendes de Barros em São Paulo, essas doações estão em baixa. 

“Nós tivemos uma queda brusca, pelo aumento do número de bebês prematuros internados na nossa UTI neonatal. Então, os nossos estoques hoje estão abaixo do que a gente tem para manter todos com leite humano”, apontou ela. 

Jessica é mãe da Manuela, de 8 meses e sempre quis fazer a doação de leite materno.

Se informou e hoje contribui com o banco de leite. “No primeiro dia que eu fiz, eu fiquei repetido pro meu marido umas três vezes: ‘Que legal, vou conseguir doar leite, que legal, vou conseguir doar leite’. É algo que eu sempre quis fazer. Então, para mim é super gratificante como mãe, assim, é um sentimento incrível. Você saber que você está ajudando outras crianças”, expressou a gerente de tecnologia, Jessica Namba Silva.

Para ser doadora é preciso estar amamentando exclusivamente com leite materno seu filho e ser saudável. No momento da triagem, o banco de leite vai avaliar os exames sorológicos da mãe. Na maioria das vezes, a coleta da doação é feita no domicílio da doadora. “Quanto mais esse bebê mama, mais leite ela produz. Então, tem muitas mulheres que acabam produzindo mais do que seus bebês precisam”, completou Renata. 

Com a ajuda que vem recebendo para seu filho, Fabiana já fez a sua escolha. “Assim que tiver leite suficiente, também será doadora. Eu vou fazer a doação, com certeza”, afirmou Fabiana.

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