EM MINAS GERAIS

Hospital das Clínicas da UFMG volta a realizar transplantes de pulmão

Em Belo Horizonte, uma cena de fé e gratidão emocionou equipes médicas. Um jovem doador foi aplaudido pelo gesto generoso da família que permitiu a uma mulher voltar a respirar, no primeiro transplante de pulmão realizado em Minas depois de 10 anos.

Reportagem de Vanessa Anicio e Daniel Camargo

Profissionais de saúde lado a lado, aplaudem um jovem vestido com a camisa do time do coração, o Atlético Mineiro. Era o último adeus a um doador de órgãos, homenageado em um corredor de honra no Hospital Risoleta Tolentino Neves em Belo Horizonte. 

“A gente agradece muito essas famílias que permitem que a vida continue, que aquela morte daquele ente querido não foi em vão, que pode ajudar outras famílias que estão na fila”, expressou o diretor da MG Transplantes, Omar Lopes Cançado Júnior.

O gesto de amor dessa família atravessou a dor e deu origem a uma nova história. O pulmão doado pelo jovem de 15 anos permitiu que uma mulher de 38, com uma doença pulmonar rara voltasse a respirar. Ela foi a primeira paciente a receber um transplante de pulmão em Minas Gerais depois de 11 anos de suspensão do serviço.

O transplante foi realizado no Hospital das Clínicas da UFMG, que anunciou a retomada dos serviços em setembro, após um ano de qualificação das equipes, aquisição de novos equipamentos e incentivo de políticas públicas. “Com o transplante veio a possibilidade da gente ter o ECMO, videobroncoscopia, aparelhos de diálise lenta.

Isso permitiu com que o Hospital das Clínicas crescesse e hoje se torne uma expoência dentro do SUS do ponto de vista de segurança assistencial”, explicou o coordenador de pneumonia e cirurgia torácica do HC-UFMG, Daniel Bonomi. 

Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, entre janeiro e junho de 2025, foram realizados 54 transplantes pulmonares no Brasil. Dona Sônia conhece bem a angústia da espera. Diagnosticada com uma doença genética que comprometia os pulmões, ela precisou de um transplante. Há 17 anos, ela testemunha o poder que o sim de uma família teve para os rumos da sua vida. “Foi uma emoção tão grande, tão grande, que um sufoco. Queria chorar. Quando eu vi o hospital, cheguei lá no hospital, comecei a chorar de emoção. Porque a gente ia viver de novo”, lembrou a transplantada pulmonar, Sônia Maria de Melo. 

A retomada dos procedimentos no Hospital das Clínicas, na capital mineira, carrega a esperança de um novo sopro de vida possível graças a gestos de amor que atravessam a dor e transformam o fim em recomeço. 

“A gente tem muito a agradecer à família dessa pessoa, que mesmo com o falecimento dela conseguiu entregar a vida para várias outras pessoas. Nobreza é a palavra”, ressaltou Daniel. 

“Quem vai não vai sentir dor, mas para quem vai ficar é um ato de amor, de caridade”, concluiu Sônia.

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