NEGOCIAÇÕES

Governo federal tem grandes desafios no 1º semestre de 2026

Controle dos gastos governamentais é assunto em questão para ajustar dívidas

Reportagem de Aline Campelo e Ersomar Ribeiro

Com o retorno das atividades legislativas no mês que vem, o governo federal enfrenta um primeiro semestre decisivo. Alguns temas específicos já fazem parte da agenda econômica, social e política de 2026, como o equilíbrio das contas públicas e o cumprimento das metas fiscais deste ano.

O ajuste fiscal volta ao centro do debate em Brasília. O governo sofre pressão para equilibrar as contas públicas e cumprir as metas fiscais em 2026, com dificuldades para aprovar medidas de aumento de arrecadação e controle de despesas, o executivo avalia novos cortes.

“O governo se comprometeu e foi aprovado pelo Congresso que ele tem que respeitar o um superávit ou mesmo zero de superávit, mas respeitar as regras fiscais”, disse o especialista em contas públicas, Newton Marques.

A disputa pelo orçamento deste ano promete ser intensa. O texto enviado ao Congresso prevê bilhões de reais em emendas parlamentares, o que amplia o poder do Legislativo. O orçamento se torna, mais uma vez, um termômetro da relação entre o Planalto e o Congresso. Sem acordo político, cresce o risco de atrasos e até de paralisia em votações estratégicas.

“Você tem, de um lado a questão, a receita não aumenta, então você não pode gastar. Então o governo vai ter que fazer um contingenciamento. Por outro lado, você acaba também limitando os gastos. Você tem dois momentos que são forças para impedir com que as políticas públicas sejam realizadas”, retomou Newton. 

A inflação segue pressionando itens básicos como alimentos e combustíveis. O Banco Central mantém os juros em patamar elevado, enquanto o mercado espera sinais mais claros sobre o início de cortes ao longo do ano e ainda os desdobramentos sobre as negociações do petróleo no mundo após a ação dos Estados Unidos contra a Venezuela.

“A gente vê que a economia vem desacelerando, vem perdendo velocidade. E isso aponta para um 2026 com um crescimento menor que 2025, menor que 2024. Então se espera um crescimento de 2%. Só que obviamente o Banco Central coloca algumas questões técnicas que apontam para um crescimento menor que 2%. Mas tem um detalhe que 2026 é um ano eleitoral e nós temos visto já uma certa vontade do governo de gastar. Isso aumenta em ano eleitoral”, afirmou o economista César Bergo. 

Políticas públicas como transferência de renda, ações em áreas essenciais como saúde, educação e combate à pobreza disputam o espaço com a administração das contas públicas e a governabilidade segue como um dos principais desafios do Planalto.

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