Curadores e visitantes se encantam com exposição que segue até 11 de outubro
Arte, tecnologia e inteligência artificial dividem o mesmo espaço em São Paulo. O Festival Internacional de Linguagem Eletrônica reúne obras de artistas de vários países e convida o público a pensar sobre as novas relações entre criação humana e tecnologia.
Reportagem de Flávio Rogério e Gilberto Pereira
Uma viagem imersiva, interativa e sensorial pelo mundo da arte e da inteligência artificial é o que propõe o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, que acontece no Centro Cultural FIESP, na zona sul da capital paulista, e traz uma reflexão sobre como estão os
processos criativos diante da crescente evolução das tecnologias. “É uma exposição muito interessante. Porque está muito em voga hoje a questão da IA, tem a parte visual, a parte de audição, movimento. Então é bem amplo toda essa sensação aqui”, contou o engenheiro civil Denis Santinelli.
“Querendo ou não, tem muitas pessoas que ainda não tiveram acesso a esse tipo de tecnologia. Então, através dessas exposições, as pessoas vão ganhando um pouquinho mais de entendimento e quando você participa da obra, você percebe mais”, disse a instrutora de informática, Tatiane Barbosa.
A exposição enfatiza o poder da tecnologia e da inteligência artificial na arte, mas destaca também que só o ser humano consegue ter sensibilidade e emoção para dar um sentido e um significado a essas obras.
“Então, é a ideia de você unir a inteligência humana e a inteligência artificial, mas com foco principalmente no que tem de humano nisso. Então, a sensibilidade, a emoção, a imaginação, a memória ainda permanecem muito complexos para esses sistemas. A gente acredita que é isso que traz um diferencial para arte”, ressalta a curadora, Clarissa Vidotto.
Reflexão que o Papa Leão XIV traz no terceiro capítulo da Encíclica Magnífica Humanitas, onde afirma que a inteligência artificial pode imitar funções da ciência e até superar o ser humano em velocidade de cálculo, mas não vive experiências, sente dor ou compreende o que é amor, amizade ou responsabilidade.
“O Papa Leão escreveu um texto antes da encíclica, no qual ele desafia a, no mundo de comunicação digital, virtual, a preservar rostos e vozes. A gente pode usar a internet, a gente pode usar a inteligência artificial, mas o que ele não quer é que a inteligência artificial, por deliberação de quem a conduz, de quem a programa e de quem escreve seus códigos, elipse o ser humano, faça o ser humano desaparecer”, explicou o professor da PUC(SP), padre Reuberson Ferreira.
A exposição conta com cerca de 160 obras de artistas de 48 países que abordam temas contemporâneos. “Mas essa interatividade é muito legal. Porque não é uma coisa que fica mais distante. Então agora quando você pode interagir deixa você mais perto e dá vontade de conhecer mais e explorar cada vez mais”, citou o professor, Valdemar Santos.
“E é isso que o público vai encontrar aqui, trabalhos que você pode participar, que você pode criar, que você pode se surpreender e tocar, enfim, se inspirar para criar mais e aprender mais. Então, assim, é uma experiência única que deve ser aproveitada. A gente convida todo mundo para visitar”, completou Clarissa.
A mostra pode ser visitada de graça na Galeria de Arte do Centro Cultural FIESP, na zona sul da capital paulista, até dia 11 de outubro.