Após dias intensos de debates nos três poderes da república, a semana termina com certa tranquilidade em Brasília. No entanto, a imposição de taxas, sanções e a relação entre executivo e legislativo movimentam o cenário político nacional e são motivo de análise de especialistas.
Reportagem de Francisco Coelho e Ersomar Ribeiro
Mesmo com as mesas diretoras do Senado e da Câmara liberadas, o clima no Congresso continua tenso. A oposição mantém a defesa de pautas como anistia a condenados do 8 de janeiro e isso pode atrapalhar o andamento de projetos do governo.
O cientista político afirma ser preciso inverter a agenda e dar prioridade a temas que aliviem as tensões. “O Congresso Nacional tem uma série de projetos de interesse da população, do setor produtivo, até mesmo da questão tributária nacional. E nós estamos fazendo uma inversão, colocando em pauta essa questão de novo da polarização”, explicou Alexandre Bandeira.
A preocupação no Congresso se soma às medidas tomadas pelo Supremo Tribunal Federal sobre temas debatidos no executivo e legislativo. Os parlamentares reclamam do excesso de judicialização em assuntos privativos do Congresso Nacional.
Para esse jurista, é preciso despolitizar a Suprema Corte. “Tem que tirar a política do judiciário. Tirando a política e o Supremo ficando como Corte Constitucional é fundamental importante tribunal como é nos Estados Unidos e nos países democráticos”, apontou Asafe Gonçalves.
Outro tema que preocupa o governo é o tarifaço americano. As sobretaxas de 50% sobre as exportações brasileiras podem gerar um forte impacto na economia. As tentativas de negociação não deram resultado porque os americanos não dão sinais de abertura.
“O que o Trump faz? Ele dá o choque de tarifa em cima dos países e acaba forçando uma negociação para que ele tenha quase que um acordo com o próprio Estados Unidos de forma unilateral, quebrando blocos, de econômicos para que seja feita uma melhor transação entre os dois países”, concluiu o professor de direito, Elias Miler da Silva.
Nesta sexta, o vice-presidente Geraldo Alckmin informou que o plano de contingência para barrar o aumento das tarifas deve ser anunciado até a próxima terça-feira. O governo deve destinar 50 bilhões de ajuda aos setores afetados.