Brasileiros devem ter escolha de vida devido a valor de alimentos In Natura
Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais aponta que a diferença de preço entre alimentos in natura e ultraprocessados ficou cada vez menor nos últimos anos.
Reportagem de Léo Apolinário e Daniel Camargo
Cozinhar a própria comida em casa foi a solução que a Marilda encontrou diante da falta de opções na rua. “Você nunca vai encontrar uma comidinha, um arroz, feijão feito na hora, está sempre cheio de conservantes, condimentos e acaba fazendo mal. Aí eu prefiro fazer em casa”, disse a autônoma, Marilda Moura.
Do arroz à carne, passando pela salada, tudo que chega à mesa é escolhido com cuidado. Parte dos alimentos vem da própria horta cultivada no quintal de casa. “E me ajuda muito na questão de valores, de comprar a verdura na rua, porque eu sei que eu vou comer um pé de alface sem agrotóxico, eu vou comer uma cova sem agrotóxico”, retomou ela.
Essa relação entre preço e alimentação foi analisada em uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais. Em 2018, os alimentos In Natura custavam em média R$ 18,90.
Os ultraprocessados custavam R$ 22,20. 6 anos depois, os preços ficaram quase iguais, R$ R$ 18,60 contra R$ 18,80.
“Nós temos então alimentos In Natura que são aqueles no seu estado mais natural possível, frutas, hortaliças, os ultraprocessados que vão ser, por exemplo, salgadinhos, refrigerantes, biscoitos recheados”, citou a nutricionista e pesquisadora da UFMG, Thais Caldeira.
Mas o preço não é o único fator que pesa na escolha. Com a rotina cada vez mais corrida e menos tempo para preparar as refeições, os ultraprocessados acabam ganhando espaço pela praticidade. “A gente encontra facilmente nos pontos de ônibus, em qualquer comércio, com uma ideia de praticidade. Então, quando se tem ali uma necessidade de consumir algo rápido, a população já vai diretamente consumir contra o processado, porque já criou essa ideia”, reforçou ela.
Segundo a pesquisadora, a população entende a importância de uma alimentação saudável, mas o orçamento ainda pesa na hora de escolher o que vai à mesa. “A população de baixa renda, ela tem uma pouca manobra de estratégia em relação à renda. A renda já é muito restrita e aí ela tem que escolher muitas vezes entre pagar o aluguel, ela tem que escolher muitas vezes entre pagar a luz, pagar ali a água ou comer bem”, completou Thais.

